Parece um daqueles truques estranhos que aparecem nas redes sociais, mas há viajantes a chegar aos aeroportos com o passaporte embrulhado em papel de alumínio. A tendência está a circular em plataformas como TikTok e Reddit e tem como objetivo proteger os dados armazenados no chip do documento.
A prática foi esta segunda-feira, 22 de setembro, destacada pela Euronews, que refere que alguns turistas começaram a adotar esta solução por receio de que criminosos consigam ler os dados do passaporte sem lhes tocar.
A ideia passa por utilizar o alumínio como uma barreira improvisada contra as ondas de rádio, dificultando a comunicação entre um eventual leitor e o chip incorporado no documento.
Porque estão a embrulhar o passaporte em alumínio?
Os passaportes eletrónicos utilizam tecnologia que permite a leitura sem contacto dos dados armazenados no chip.
Em Portugal, o Passaporte Eletrónico Português também possui um chip sem contacto. A legislação estabelece que nele são armazenados dados biográficos, a imagem facial e informação relativa à emissão do documento, com mecanismos destinados a garantir a segurança e autenticidade da informação.
É precisamente esta capacidade de comunicação sem contacto que está na origem do receio difundido nas redes sociais.
A teoria é simples: se alguém conseguir aproximar um leitor suficientemente potente do passaporte, poderia tentar estabelecer comunicação com o chip. Ao envolver o documento em alumínio, os viajantes procuram criar uma barreira às ondas de rádio.
Especialistas dizem que o risco é extremamente reduzido
Na prática, porém, os especialistas ouvidos pela Euronews consideram que a proteção é largamente desnecessária.
O principal problema para quem tentasse ler clandestinamente um passaporte está na distância. O alcance do chip é muito reduzido e um leitor teria de estar extremamente próximo do documento para conseguir comunicar com este.
Assim, a possibilidade de alguém simplesmente passar por um viajante num aeroporto e recolher à distância os dados do passaporte é considerada extremamente improvável.
O papel de alumínio pode funcionar como uma barreira improvisada às ondas de rádio, mas isso não significa que represente uma proteção necessária no dia a dia.
Tendência pode até atrasar os controlos
Há ainda um efeito inesperado. Segundo a Euronews, a tendência está a contribuir para atrasos nos controlos de passaportes, uma vez que os viajantes precisam de retirar o documento do alumínio antes de o apresentar e, em alguns casos, voltam a embrulhá-lo depois.
O hábito acaba, assim, por acrescentar passos a um processo que já enfrenta pressão em vários aeroportos europeus.
Desde setembro que os controlos fronteiriços europeus estão também sujeitos a novas condições relacionadas com o Sistema de Entrada/Saída (EES), depois de terem terminado medidas temporárias que permitiam flexibilizar algumas verificações biométricas em situações de congestionamento.
Embrulhar o passaporte em papel de alumínio pode, portanto, parecer uma forma simples de acrescentar uma camada de proteção. Contudo, perante o reduzido alcance de leitura do chip e os mecanismos de segurança existentes no próprio documento, os especialistas consideram que o gesto oferece pouca utilidade prática.
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