Há fenómenos que se repetem todos os anos e continuam a maravilhar quem olha o céu com curiosidade. Um dos mais encantadores é o da chuva de meteoros, que acontecem quando a Terra atravessa zonas repletas de partículas deixadas por cometas. Ao entrarem na atmosfera, essas pequenas partículas incendeiam-se e criam riscos luminosos que atravessam o firmamento, um espetáculo visível a olho nu.
O rasto deixado pelo cometa Halley
Entre as várias chuvas que pontuam o ano, como as Perseidas, as Leónidas ou as Táuridas, há uma chuva de meteoros que marca o outono: as Oriónidas, associadas à famosa constelação de Orion. Este fenómeno ocorre porque o planeta cruza uma faixa de detritos deixada pelo cometa Halley, talvez o mais célebre da história da astronomia.
Segundo o Instituto Geográfico Nacional de Espanha, citado pelo portal El Adelantado, as Oriónidas começaram a 2 de outubro e prolongam-se até 7 de novembro. Durante esse período, quem levantar os olhos para o céu em noites escuras e sem poluição luminosa poderá testemunhar dezenas de estrelas cadentes.
As melhores noites para assistir ao espetáculo
Os astrónomos recomendam especial atenção às noites de 19 a 23 de outubro, que serão as mais propícias para observar o fenómeno. Dentro desse intervalo, a madrugada de 21 de outubro deverá ser o ponto alto do espetáculo, quando se prevê a maior intensidade de meteoros.
A American Meteor Society (AMS) indica que o melhor momento será por volta da 1h00 da madrugada em Portugal continental (meia-noite nos Açores e Madeira). Coincidindo com a Lua nova, a ausência de luz lunar deixará o céu mais escuro, aumentando significativamente a visibilidade das estrelas cadentes.
Até 70 meteoros por hora
Durante o pico das Oriónidas, poder-se-ão ver entre 50 e 70 meteoros por hora, número considerável tendo em conta que noutras noites o ritmo cai para cerca de 10 a 15. Embora menos intensas do que as Perseidas ou as Gemínidas, que podem ultrapassar os 150 meteoros por hora, as Oriónidas são conhecidas pela sua beleza e pela rapidez com que os meteoros riscam o céu.
Onde ver melhor
Para desfrutar ao máximo da chuva de meteoros, o ideal é afastar-se das luzes urbanas e procurar locais abertos e escuros, como praias, serras ou campos. No Algarve, por exemplo, locais como a Serra de Monchique, o Cabo de São Vicente ou a Praia do Amado são ideais para observações astronómicas, devido à baixa poluição luminosa.
Os especialistas aconselham também a deitar-se confortavelmente e dar tempo aos olhos para se adaptarem à escuridão. Mesmo sem telescópio, a experiência pode ser memorável.
O segredo está em Orion
As Oriónidas recebem o nome da constelação de Orion, uma das mais fáceis de identificar no céu noturno. O ponto de onde parecem surgir os meteoros, o chamado “radiante”, está junto às três estrelas que formam o famoso Cinturão de Orion, conhecidas popularmente como os Três Reis Magos ou as Três Marias.
Estas estrelas chamam-se Alnitak, Alnilam e Mintaka, e são o ponto de referência perfeito para orientar o olhar durante a observação. Mesmo que os meteoros pareçam vir de diferentes direções, todos partem da mesma área do céu.
Um espetáculo gratuito e universal
Assistir a uma chuva de estrelas é uma experiência que não requer tecnologia nem bilhete de entrada, apenas paciência, escuridão e tempo. É uma oportunidade rara de ver a natureza em ação e recordar que o nosso planeta se move constantemente pelo espaço, cruzando-se com vestígios de cometas antigos.
Um grande momento astronómico
As Oriónidas de 2025 prometem ser um dos grandes momentos astronómicos do ano, especialmente para quem vive em regiões com céus limpos e pouca poluição luminosa. Um espetáculo silencioso, efémero e gratuito que continua, todos os anos, a despertar o mesmo espanto.
















