A Inteligência Artificial (IA) tornou-se rapidamente uma realidade inevitável da vida urbana europeia, transformando profundamente a forma como os cidadãos acedem aos serviços públicos, a forma como as crianças aprendem nas escolas e o próprio modelo de funcionamento dos funcionários municipais. De acordo com as análises mais recentes divulgadas pela Eurocities*, a IA está a redefinir a resposta dos municípios a desafios complexos e interligados, como a mobilidade urbana, a adaptação às alterações climáticas, a segurança pública e a inclusão social. Para os governos locais, o debate político e técnico ultrapassou a questão de saber se a tecnologia deve ou não ser introduzida; o foco atual é garantir que a sua aplicação seja feita de forma estritamente responsável, inclusiva e totalmente orientada para melhorar o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas.
O foco no cidadão: da experimentação à implementação
O relatório da Eurocities destaca que várias metrópoles europeias estão a passar da fase de testes laboratoriais para a aplicação prática. Estão a ser criados assistentes virtuais de IA, plataformas de dados integradas e quadros éticos rigorosos. Cidades como Espoo, na Finlândia, servem de exemplo ao testar copilots digitais e assistentes baseados em GPT para ajudar os responsáveis municipais a aceder mais rapidamente à informação interna, otimizando os serviços públicos.
No entanto, a principal lição partilhada pelas cidades europeias é clara: a tecnologia sozinha não chega. Para que a IA funcione a favor das pessoas, deve basear-se em pilares como confiança mútua, governação robusta dos dados, transparência algorítmica e o empoderamento digital dos próprios cidadãos, combatendo ativamente a exclusão da informação.
A experiência portuguesa: o caso de Braga e a transição digital
Portugal acompanhou de perto este movimento europeu de “humanização” da tecnologia nas cidades. Um excelente exemplo desta transição é a cidade de Braga, que se tem destacado na rede Eurocities precisamente pelo seu compromisso com a sustentabilidade e a inovação digital centrada no cidadão.
Braga seguiu um caminho consistente na modernização administrativa e na aplicação da inteligência urbana. A estratégia da cidade baseia-se na transformação de dados brutos em decisões que melhoram a vida diária dos cidadãos:
- Mobilidade Inteligente: Tal como o que a Eurocities defende no planeamento do tráfego e sustentabilidade, Braga investiu na monitorização do fluxo de tráfego e na gestão inteligente das frotas e do transporte público. A análise de dados em tempo real permite antecipar congestionamentos e otimizar rotas, reduzindo as emissões de carbono.
- Inclusão e Literacia Digital: Um dos grandes desafios apontados a nível europeu é garantir que ninguém fique para fora. Em Braga, os projetos de desmaterialização de serviços e os balcões de proximidade visam simplificar a burocracia dos cidadãos. Ao criar assistentes digitais mais intuitivos, assegura-se que mesmo a população sénior ou aquelas com menos competências tecnológicas possam aceder aos serviços municipais de forma rápida e justa.
- Turismo e Sustentabilidade: Sendo um centro de enorme riqueza histórica e atração turística, Braga utiliza ferramentas analíticas para gerir fluxos de visitantes, preservar o património e garantir que o turismo se desenvolva em harmonia com o bem-estar dos residentes locais.
Conclusão: o futuro é colaborativo
A experiência de Braga reflete fielmente a visão europeia: IA e Gémeos Digitais servem fins ecológicos, sociais e democráticos. O verdadeiro sucesso da inteligência artificial nas cidades não se mede pela sofisticação do algoritmo, mas pela eficácia com que resolve problemas reais — seja limpando o ar que respiramos, tornando o transporte mais pontual ou respondendo de forma transparente às perguntas dos cidadãos.
Para complementar esta leitura e compreender melhor a perspetiva direta dos líderes urbanos sobre este tema, pode assistir a este debate do Cities on AI Adoption in Europe. Este vídeo regista as discussões que tiveram lugar no Eurocities Digital Forum, ilustrando como os governos locais colaboram para garantir direitos digitais e inclusão social no desenvolvimento da inteligência artificial.
Edição e adaptação com IA de Joao Palmeiro com Andrew Kennedy Eurocities.

*Eurocities é uma rede influente que reúne quase 200 das maiores cidades da Europa, representando cerca de 130 milhões de cidadãos em 38 países. O seu principal objetivo é partilhar boas práticas urbanas e atuar como um elo essencial para que as cidades colaborem diretamente com as instituições da União Europeia na criação de políticas públicas mais justas e sustentáveis.
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