A proteção solar é um tema central nos cuidados de saúde durante os meses de maior exposição ao sol. A utilização de protetor solar é importante para evitar queimaduras, envelhecimento precoce e outras lesões causadas pela radiação ultravioleta. Vários estudos têm avaliado a eficácia dos produtos disponÃveis no mercado, com especial atenção aos que se destinam a crianças, uma vez que este grupo apresenta maior sensibilidade aos efeitos da radiação.
Produto retirado do mercado
A DECO PROTeste testou 39 protetores solares, dos quais 19 dirigidos a crianças. Todos apresentavam fator de proteção solar (FPS) 50 ou 50+. Um dos produtos testados, o Cien Sun Cream Kids SPF 50+, comercializado em bisnaga de 200 ml pelo Lidl, não atingiu o nÃvel de proteção anunciado.
De acordo com a Marketeer, o FPS real deste protetor foi de 30. O Lidl Portugal reagiu retirando preventivamente todos os lotes deste protetor solar das lojas, com o objetivo de proceder a novas análises. A DECO PROTeste comunicou os resultados ao Infarmed, entidade responsável pela fiscalização de produtos cosméticos em Portugal.
Os testes foram realizados com base na norma ISO 23698:2024, que recorre a métodos não invasivos com espectroscopia de reflexão difusa. Este procedimento permite obter resultados fiáveis sem causar danos aos voluntários envolvidos na análise.
Após os primeiros resultados, foi utilizada uma norma de referência anterior para nova avaliação. O veredito manteve-se, confirmando a divergência entre o valor publicitado na embalagem e a proteção efetiva verificada nos testes.
Impacto da rotulagem imprecisa
A proteção contra os raios ultravioleta do tipo A (UVA) deve representar, no mÃnimo, um terço do valor do FPS. O protetor solar em questão não cumpriu este requisito, o que levanta dúvidas quanto à segurança da sua utilização prolongada em peles mais sensÃveis, segundo aponta a mesma fonte.
Um produto mal rotulado pode induzir uma falsa sensação de proteção, levando a comportamentos de exposição solar menos cuidadosos. Esta situação ganha particular relevância no caso de produtos dirigidos a crianças.
Todos os restantes produtos infantis analisados cumpriram os valores anunciados tanto para proteção contra UVA como UVB. Estes dados indicam que existem outras opções eficazes no mesmo segmento.
Composição quÃmica e efeitos associados
Durante os testes, foram identificadas substâncias com potencial impacto negativo na saúde. Entre estas encontra-se o octocrileno, presente em dois produtos infantis, e o limoneno, uma fragrância alergénica comum em cosméticos.
Alguns protetores solares continham perfumes que podem causar reações em peles sensÃveis. O uso de fragrâncias está a ser cada vez mais questionado quando se trata de produtos destinados a crianças.
O impacto ambiental foi outro aspeto avaliado, de acordo com a mesma fonte, tendo sido observado que muitos produtos não permitem a utilização total do conteúdo da embalagem, o que contribui para o desperdÃcio.
Formato em spray ou loção
Cada produto foi também avaliado por um painel de trinta consumidores. Foram analisados parâmetros como odor, textura, facilidade de aplicação, absorção e aspeto na pele, sem que os participantes conhecessem as marcas.
Os resultados demonstraram que tanto os formatos em spray como os em loção apresentam eficácia semelhante na proteção solar. A escolha entre um e outro depende sobretudo da preferência pessoal.
As loções tendem a ser mais espessas e cremosas, enquanto os sprays são mais leves e transparentes. Ambos são adequados para aplicação no corpo e no rosto, desde que utilizados corretamente.
Em caso de aplicação no rosto, é recomendável, segundo a mesma fonte, colocar o produto primeiro nas mãos e só depois espalhar, evitando o contacto com os olhos. Se houver contacto acidental, deve-se lavar com água.
Aplicação adequada e cuidados contÃnuos
Para garantir a proteção necessária, deve ser aplicada a quantidade equivalente a sete colheres de chá para o corpo e uma colher para o rosto. A aplicação deve ser repetida de duas em duas horas, bem como após banho ou transpiração, conforme refere a Marketeer.
Mesmo que o rótulo indique resistência à água, a reaplicação mantém-se fundamental. A exposição solar contÃnua reduz a eficácia do produto ao longo do tempo.
A utilização de chapéus, óculos escuros e vestuário protetor complementa a ação dos protetores solares. Estes cuidados devem ser integrados na rotina diária durante os meses de verão.
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