Portugal e Espanha viveram no final de abril um dos maiores apagões elétricos dos últimos anos. A falha abrupta deixou cidades inteiras sem energia, afetando serviços de comunicações, transportes e estruturas críticas. Em resposta, Elon Musk afirmou que os seus sistemas “continuariam a funcionar” no apagão.
Num momento em que os geradores de emergência entravam em ação e os operadores de rede tentavam restabelecer o serviço, o multimilionário utilizou a rede social X para sugerir uma alternativa. As soluções, diz, já existem, e são assinadas por ele.
O que Musk propõe
De acordo com o site Computer Hoy, Elon Musk garantiu que a Powerwall e a Starlink “continuariam a funcionar” mesmo durante um apagão como o que afetou a Península Ibérica no passado dia 28 de abril.
A Powerwall é uma bateria doméstica concebida pela Tesla para armazenar energia solar (ou da rede elétrica quando disponível) e disponibilizá-la em caso de corte. A Starlink, por sua vez, é um serviço de internet via satélite, capaz de fornecer ligação mesmo em situações em que as redes terrestres colapsam.
Segundo a mesma fonte, Musk vê nesta combinação de tecnologias uma alternativa viável para garantir que casas e serviços essenciais continuem operacionais em caso de falha do sistema.
Uma seca elétrica iminente?
Na publicação feita durante o apagão, Musk aproveitou também para reiterar um alerta que tem vindo a repetir nos últimos anos: o risco de uma futura “seca de eletricidade” à escala global.
A expressão, segundo o empresário, refere-se ao crescimento exponencial da procura energética, potenciado por data centers, veículos elétricos e inteligência artificial.
Refere a mesma fonte que, para Musk, a infraestrutura elétrica atual é demasiado centralizada e frágil para dar resposta aos desafios do futuro. A descentralização, com produção e armazenamento distribuídos, seria a chave para uma maior resiliência.
Custo elevado para a maioria dos utilizadores
Apesar da promessa de autonomia energética e ligação permanente à internet, as soluções propostas por Musk estão longe de ser acessíveis para todos.
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A Powerwall tem um preço estimado de cerca de 8.000 euros, excluindo os custos de instalação e os painéis solares necessários para alimentar a bateria. Já a Starlink, embora esteja a expandir-se globalmente, continua a ter um custo mensal acima da média, o que a torna inviável para muitas famílias.
Segundo escreve o site, estas limitações económicas tornam os produtos da Tesla e da SpaceX opções de nicho, pelo menos no curto prazo.
Críticas à solução individual
A proposta de Musk não foi bem recebida por todos os responsáveis europeus. Teresa Ribera, Vice-Presidente da Comissão Europeia, defendeu que a resposta aos apagões passa pela modernização das redes elétricas nacionais, e não por soluções privadas isoladas.
Explica o site que a responsável considera prioritário reforçar a capacidade de resposta das infraestruturas públicas, em vez de transferir essa responsabilidade para cada consumidor individual.
Bruxelas já prepara medidas
Conforme a mesma fonte, a Comissão Europeia anunciou a intenção de desenvolver novos protocolos para aumentar a resiliência das infraestruturas críticas na União Europeia.
Estão em estudo mecanismos de redundância, melhoria dos sistemas de monitorização e a implementação de tecnologias que previnam falhas em cascata como a que se verificou no final de abril.
Solução ou oportunidade comercial?
Apesar das críticas, Musk poderá ter transformado a crise numa nova oportunidade de mercado. Ao colocar a Tesla e a SpaceX no centro da discussão sobre falhas energéticas, o empresário reforça a visibilidade dos seus produtos como soluções tecnológicas de vanguarda.
Resta saber se os governos europeus irão considerar estas soluções viáveis para implementação pública ou se continuarão a ser produtos premium, acessíveis apenas a uma minoria.
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