Um arquiteto reformado de 90 anos decidiu doar a casa onde nasceu e o terreno que a rodeia, avaliados em cerca de 10 milhões de euros, para ajudar a criar habitação a preços acessíveis em Munique. Otto Gugger não tem filhos e, juntamente com a irmã, escolheu entregar o património a uma fundação local, que pretende transformá-lo num projeto residencial destinado a diferentes grupos da população.
A propriedade, com cerca de 3.000 metros quadrados, deverá dar lugar a 10 apartamentos para profissionais de saúde, uma residência partilhada para estudantes e habitações destinadas a famílias. O projeto inclui ainda uma comunidade residencial com apoio para crianças e jovens desfavorecidos.
Decisão tomada sem herdeiros diretos
De acordo com a SIC Notícias, Otto Gugger viveu praticamente toda a vida na casa da família e começou a pensar no futuro da propriedade quando percebeu que nem ele nem a irmã tinham descendentes que pudessem recebê-la. A solução encontrada passou pela sua entrega à fundação do bairro, uma organização sem fins lucrativos dedicada à promoção de habitação acessível.
“Como nem a minha irmã nem eu temos filhos, era óbvio que devíamos dar-lhe um uso útil e social”, explicou o antigo arquiteto. A doação permite manter o património ligado ao local onde sempre esteve, mas altera a sua utilização para responder à falta de habitação na cidade.
A decisão surge numa altura em que Munique enfrenta dificuldades no acesso à habitação e em que os preços praticados no mercado tornam particularmente difícil encontrar casas a valores acessíveis. O projeto pretende, por isso, criar uma oferta residencial com rendas inferiores às praticadas em novas construções.
Rendas abaixo dos valores praticados em Munique
Os futuros apartamentos deverão ter rendas de cerca de 13 euros por metro quadrado. O valor corresponde a aproximadamente metade dos 25 euros por metro quadrado indicados para um edifício novo na cidade.
A diferença será possível, em parte, porque a fundação beneficia de uma isenção de imposto sobre doações. O financiamento das obras será assegurado através de novos donativos e das receitas que venham a resultar das rendas das habitações.
Casa continuará a ter moradores
Apesar da doação, Otto Gugger e a irmã não terão de abandonar imediatamente a propriedade. Ambos mantêm o direito de continuar a viver na casa durante o resto das suas vidas. As obras deverão começar em breve e significarão uma mudança na rotina do local. A tranquilidade habitual dará lugar ao movimento associado ao estaleiro, mas o antigo arquiteto não vê esse cenário como um problema.
“É algo com que vivi toda a vida e não me incomoda”, afirmou. A intervenção deverá transformar progressivamente o espaço sem retirar aos atuais moradores o direito de permanecerem na casa.















