Mischa Gurov passou a fazer a nado os últimos 1,35 quilómetros do percurso para o trabalho, quando o tempo permite. Em Zurique, na Suíça, o informático russo encontrou no canal Schanzengraben uma alternativa aos comboios cheios, embora continue a utilizar os transportes públicos para chegar ao centro da cidade antes de entrar na água.
De acordo com o portal Euronews, esta rotina também o levou a prestar mais atenção ao lixo acumulado junto ao antigo fosso da cidade. Numa recolha feita no início do verão, juntou mais de 500 beatas em cerca de 30 minutos, ao longo de um troço de apenas 30 metros.
Percurso que passou a incluir a recolha de lixo
Além das beatas recolhidas nas margens, Mischa retira da água objetos maiores sempre que consegue alcançá-los em segurança. A preocupação já vinha de Londres, onde viveu antes de se mudar para a Suíça. Em 2018 lançou uma petição contra o lixo no Richmond Park e no rio Tamisa.
O informático defende coimas mais elevadas para quem abandona resíduos, considerando que devem desencorajar estes comportamentos e ajudar a pagar a limpeza. Segundo a publicação, mais de 6.000 milhões de beatas são descartadas anualmente no ambiente na Suíça. Na água, as substâncias que libertam podem ser letais para os peixes.
Fato de banho e um saco para os pertences
Instalado em Zurique desde 2019, Mischa começa a deslocação nos transportes públicos. Já no centro, veste o fato de banho, guarda os pertences num saco impermeável e entra no Schanzengraben para completar o trajeto. À data da reportagem, tinha acumulado mais de 60 quilómetros a nado naquele ano.
“É a melhor forma de começar um dia de trabalho”, afirmou à Euronews Earth. Pelo caminho, observa cisnes, vê por vezes o nascer do sol no lago e encontra peixes que o acompanham durante vários metros. Foi esta convivência diária que lhe deu a conhecer a vida aquática do canal.
A cidade vista debaixo de água
Uma câmara subaquática permitiu-lhe registar o que habitualmente escapa a quem atravessa as pontes ou circula nas ruas próximas. Entre os animais fotografados estava uma truta-marrom, identificada com a ajuda da entidade municipal responsável pela gestão de resíduos e proteção das águas, a Entsorgung + Recycling Zürich.
Estas trutas precisam de água limpa, fresca e rica em oxigénio para sobreviver, explica a publicação. Para Mischa, as imagens mostraram “um pequeno ecossistema urbano surpreendentemente rico”, num espaço rodeado por escritórios, transportes e pessoas a caminho dos seus empregos.
Sino para chamar a atenção
De salientar que a relação de Zurique com a água estende-se ao abastecimento: cerca de 70% da água potável da cidade vem do lago. Existem também 18 espaços balneares oficiais de verão no lago e no rio Limmat. “Manter a Suíça limpa é uma responsabilidade partilhada”, defende o informático.
Por ocasião do Dia Nacional de Limpeza, marcado para 18 e 19 de setembro, Mischa planeia percorrer todo o Schanzengraben a nado. A iniciativa prevê uma partida às 7 h, com um capacete adornado com 1.000 beatas usadas e um sino suíço, para chamar a atenção para a poluição que ameaça os peixes.
















