A falta de padeiros levou Carla e a mãe, Marimar, a decidir fechar aos domingos a padaria que gerem em Burgos, Espanha. Depois de vários anúncios de emprego com um salário mensal de 1.600 euros, as responsáveis deixaram de procurar trabalhadores, mas mantêm a intenção de continuar com o negócio.
Citada pela revista espanhola Magas, Marimar associa as dificuldades de contratação à necessidade de começar a trabalhar cedo, incluindo ao domingo. “Pagamos tanto dinheiro e ninguém quer acordar cedo para fazer pão aos domingos”, afirmou, ao explicar por que razão as ofertas não resolveram a falta de pessoal.
Domingo deixa de ser dia de trabalho
A redução dos dias de abertura foi a resposta encontrada pelas duas responsáveis para lidar com a situação. “Ficámos irritadas por ficarmos sem funcionários, por isso decidimos fechar aos domingos”, contou Marimar. A decisão altera o funcionamento semanal de uma padaria com mais de 72 anos de história.
Apesar desta mudança, mãe e filha afastam a intenção de encerrar o estabelecimento. “Vamos fechar aos domingos, mas continuaremos a funcionar”, garantiu a proprietária. A relação com quem compra o pão permanece central para a continuidade da atividade: “Sem os nossos clientes, não conseguiríamos viver.”
Anúncios sucessivos sem resolver a falta de pessoal
As tentativas de recrutamento prolongaram-se pelos últimos meses, com a publicação de vários anúncios destinados a padeiros. O salário anunciado era de 1.600 euros por mês. Contudo, as iniciativas não permitiram reunir os trabalhadores necessários e as responsáveis acabaram por suspender a procura, segundo a publicação.
Embora tenham deixado de procurar, Marimar admitiu a possibilidade de combinar diferentes gerações numa futura equipa. “Teremos de contratar alguns da geração mais nova e outros mais velhos”, declarou. Nas suas palavras, a dificuldade não se limita à contratação: “Hoje em dia, os trabalhadores cansam-se rapidamente.”
Ofício que exige acompanhar cada etapa
A padaria Villímar dedica-se à produção de pão em forno de lenha. O trabalho exige conhecimentos que vão além da disponibilidade para cumprir o horário: é necessário avaliar a massa e acompanhar a fermentação, respeitando os tempos de preparação até o pão estar pronto para entrar no forno.
A temperatura de cozedura é outra das variáveis que os padeiros têm de controlar. A experiência no acompanhamento destas etapas faz, por isso, parte das exigências do ofício, juntamente com a dedicação ao processo de produção descrita no relato sobre o estabelecimento de Burgos.
















