As receitas turísticas em Portugal registaram, em 2025, um novo máximo histórico: 29,13 mil milhões de euros, mais 5% do que no ano anterior. Os dados divulgados pelo Banco de Portugal revelam que o Reino Unido é o mercado emissor que mais gasta em Portugal com 4,3 mil milhões de euros, seguido da Alemanha (3,4 mil milhões) e França (3,2 mil milhões). Recorrendo aos dados do agregador mundial de dados do transporte aéreo Cirium para 2025, a SkyExpert, empresa de consultoria em aviação, aeroportos e turismo, procurou fazer a relação entre estes dados com os indicadores mais importantes das companhias aéreas com voos diretos (sazonais e anuais) entre Portugal e o Reino Unido.

De todos os aeroportos portugueses, Faro é aquele que apresenta a percentagem mais elevada – acima dos 50% – de passageiros não-Schengen, a esmagadora maioria dos quais provenientes do Reino Unido.

As três maiores companhias (EasyJet, Ryanair e Jet2) concentraram 72,5% das chegadas e 73,5% da capacidade de lugares, sendo que a EasyJet foi o maior operador em número de movimentos e lugares com a Ryanair muito próxima e praticamente empatada ao nível da capacidade total. A TAP representou apenas 12,5% das chegadas e 11,2% do total de lugares. No geral, o mercado aéreo entre os dois países é dominado pelas low cost (quase 75%), com predominância clara de operadores estrangeiros, alguns dos quais com bases em Portugal.

Do lado do Reino Unido existe uma fragmentação elevada com um máximo de 25 aeroportos conetados com, pelo menos, um aeroporto português; do lado de Portugal, são 5 os aeroportos portugueses com ligações para o Reino Unido, sendo Faro o aeroporto que liderou em número de voos, em número de lugares e em variedade de aeroportos conetados do Reino Unido (25), ainda que muitos deles apenas de forma sazonal. A Madeira esteve ligada a 15 aeroportos, o Porto conetou com 11, enquanto Lisboa conetou com apenas 8 aeroportos do principal mercado emissor para Portugal.
A TAP, em concreto, apresenta três características estruturais claras relativamente ao maior mercado emissor para Portugal:
- Forte concentração geográfica dos voos diretos em Lisboa (85%) e marginal no Porto (15%). Não tem voos diretos do Reino Unido para a Madeira, Algarve e Açores – os passageiros têm obrigatoriamente de trocar de avião em Lisboa, o que encarece a viagem e a torna desnecessariamente mais longa.
- A TAP serve apenas 3 aeroportos em duas cidades no Reino Unido, com particular incidência nos aeroportos londrinos de Heathrow e Gatwick que, juntos, concentram mais de 90% da oferta de lugares; o outro destino, Manchester, não chega a 10%.
- O modelo operacional da TAP está centrado no “hub” de Lisboa, ou seja, tem como objetivo principal conetar passageiros britânicos com outros destinos internacionais da sua rede, nomeadamente Brasil, Canadá, Estados Unidos, África e até mesmo Canárias.

Se o fluxo turístico do maior mercado emissor dependesse da TAP e se da rede de voos da TAP para o Reino Unido se pudesse interpretar algo sobre o fluxo turístico, então os britânicos teriam gerado apenas um décimo da receita atingida em 2025 e estariam geograficamente confinados a Londres e um pouco de Manchester na origem e concentrados em Lisboa e um pouco no Porto no destino; já o Algarve estaria praticamente sem turistas britânicos.
Contrariamente aos outros grupos aeronáuticos europeus que servem os aeroportos não-hub através de empresas especializadas nesse tráfego e que integram o próprio grupo (a Transavia no caso do Grupo Air France-KLM; a Eurowings, Discover e Edelweiss no caso do Grupo Lufthansa e a Vueling no caso do Grupo IAG), a TAP decidiu fechar a Air Atlantis nos anos 90 por a considerar uma ameaça à própria TAP, caso a companhia se viesse a dedicar ao negócio aéreo regular à partida da Madeira e Algarve, tal como os acionistas privados minoritários tinham proposto na altura. Mas no mercado livre, esse tipo de decisão protecionista tem perna curta e esse espaço foi rapidamente ocupado pelas companhias estrangeiras.
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