Pouco mais de um mês depois da passagem da depressão Kristin, quem chega a Alcoutim vê o Guadiana descer em calma para a foz e dificilmente se apercebe da destruição causada pelas inundações em equipamentos dinamizadores do tecido económico local.
As chuvas caídas durante a tempestade Kristin, a 28 de janeiro, somadas às que vieram depois com as depressões Leonardo e Marta, elevaram o nível do rio seis metros e encostaram as águas do Guadiana à zona urbana da vila, destruindo cais de acostagem ao longo do rio ou equipamentos e restaurantes/bares nas zonas ribeirinhas da vila, de Laranjeiras e de Guerreiros do Rio ou na praia fluvial, reportou o presidente da Câmara, Paulo Paulino, à agência Lusa.
“É verdade, passados estes dias, custa acreditar que a água realmente estava aqui mesmo junto de nós, quase seis metros de diferença, o que era realmente muita água”, reconheceu o presidente da câmara algarvia, junto ao muro que separa o cais de Alcoutim da zona mais baixa da vila e onde a água chegou, destruindo o apoio de uma empresa marítimo-turística e uma lavandaria.
Paulo Paulino explicou que estão danificados todos os cais de acostagem do concelho, como o do centro náutico, ”onde se pratica a canoagem, onde todos os atletas entram e saem da água” e que “ficou completamente destruído”, à semelhança do que aconteceu com os das localidades de Guerreiros do Rio e Laranjeiras.
Os três cais de Alcoutim estão interditos
“Os três cais de Alcoutim estão interditos. Não são propriedade da Câmara, são da Docapesca, e encontram-se neste momento interditos por questões de segurança, sofreram enormes pressões, tudo indica que provavelmente as sapatas do apoio destes cais se podem ter deslocado”, disse o autarca, frisando que o município aguarda pelos resultados de uma “peritagem” para saber se podem ser ou não utilizados.
Todas estas estruturas são importantes para o tecido económico local, porque são utilizados por proprietários de embarcações que circulam e fundeiam no rio e visitam depois o comércio local, para a ligação com a localidade espanhola de Sanlúcar de Guadiana, atualmente parada, e para famílias que vivem dos equipamentos da praia fluvial e do bar em Guerreiros do Rio, cujos proprietários anseiam por começar a recuperação.
Rogério Jacob é o detentor da concessão da praia fluvial em Alcoutim e contou à Lusa que, dentro do restaurante, a água atingiu dois metros a dois metros e meio, causando “muitos prejuízos, tanto ao nível de equipamentos eletrónicos, como ao nível de produtos alimentares” armazenados.
Prejuízos no restaurante andam entre os 75 a 100 mil euros
Estimou que os “prejuízos andam entre os 75 a 100 mil euros”, conta com o apoio de algumas marcas que “têm ido substituindo os equipamentos”, mas ainda aguarda pela recuperação da energia elétrica ou que a Câmara, como concessionária, conheça os apoios disponíveis para definir como recuperar o espaço.
“As coisas a esse nível estão a andar, nós neste momento precisávamos de começar a trabalhar o mais rapidamente possível, dado que eu tenho uma equipa que está parada, e tem que ser paga, como é óbvio”, afirmou Rogério Jacob, que se viu forçado a dispensar três dos cinco colaboradores e tem outros a gozar férias, enquanto não retomar a atividade.
A Lusa também encontrou Luís Domingues a fazer limpezas no apoio de rio que gere em Guerreiros do Rio, junto a um dos cais de acostagem que ficaram totalmente destruídos.
“Realmente a água subiu cerca de cinco metros do nível normal […] Acontece que acabou por ficar o bar quase completamente submerso”, recordou Luís Domingues, que disse não ter ainda a contabilização final dos danos concluída, mas estimou em “milhares de euros” os prejuízos sofridos no bar que explora há 15 anos.
Com a aproximação das férias da Páscoa e a quatro meses do início do verão, Luís Domingues está a ficar preocupado, “porque há muito trabalho para ser feito antes da abertura” e tem de estar “tudo limpo e tudo em condições, a parte elétrica, da carpintaria, de canalização”.
“E isso leva um certo tempo, logicamente”, concluiu.
















