Levantar-se rapidamente e sentir uma sensação súbita de tontura é uma experiência comum, mas que nem sempre deve ser desvalorizada. O episódio, muitas vezes associado a uma descida momentânea da tensão arterial, resulta numa redução temporária do fluxo de sangue para o cérebro. Na maioria das situações é passageiro, mas quando se repete pode revelar algo mais do que uma simples reação do organismo.
De acordo com o Notícias ao Minuto, o médico Donald Grant explica que estas tonturas surgem quando o corpo não consegue ajustar de imediato a circulação sanguínea à mudança de posição. Durante alguns segundos, o cérebro recebe menos oxigénio, o que se traduz em sintomas como sensação de cabeça leve, visão turva ou instabilidade.
Uma resposta do corpo à força da gravidade
O processo é desencadeado pela ação da gravidade. Ao passar de uma posição sentada ou deitada para a posição em pé, o sangue tende a deslocar-se para a parte inferior do corpo. Em condições normais, o organismo compensa esta alteração de forma rápida, ajustando a tensão arterial e o ritmo cardíaco.
Quando essa resposta falha, mesmo que por breves instantes, o cérebro fica momentaneamente com menor irrigação, surgindo a sensação de tontura. É um mecanismo simples, mas que depende da rapidez e eficácia com que o sistema cardiovascular reage.
Quando a tensão baixa de forma súbita
Entre as causas mais frequentes está a chamada hipotensão ortostática, caracterizada por uma descida súbita da tensão arterial ao levantar-se. Este fenómeno pode provocar não só a sensação de “cabeça a andar à roda”, mas também fraqueza, náuseas, confusão e, em alguns casos, uma sensação próxima do desmaio.
Embora seja mais comum em pessoas mais velhas, pode afetar qualquer idade, sobretudo após períodos prolongados sentado ou deitado. O corpo, ao não antecipar a mudança, demora mais tempo a estabilizar a circulação.
Um sintoma com várias formas
O termo tonturas não descreve apenas uma sensação específica. Pode manifestar-se como vertigem, em que há a perceção de que tudo à volta gira, ou como perda de equilíbrio e instabilidade. Algumas pessoas referem ainda uma sensação de cabeça pesada ou um estado de flutuação.
Esta diversidade de manifestações pode dificultar a identificação da causa, já que diferentes sistemas do corpo podem estar envolvidos, desde o ouvido interno até ao sistema nervoso ou cardiovascular.
Outras causas que não devem ser ignoradas
Para além das alterações na tensão arterial, existem outros fatores que podem estar na origem do problema. A desidratação é uma das causas mais comuns, uma vez que reduz o volume de sangue em circulação. A toma de determinados medicamentos pode igualmente provocar estes sintomas.
Problemas de saúde como anemia, diabetes ou doenças cardíacas podem também explicar episódios de tonturas, sobretudo quando estes surgem de forma persistente ou se intensificam com o tempo. A hidratação adequada assume, por isso, um papel essencial, especialmente em períodos de maior calor.
Sinais de alerta que exigem atenção
Quando as tonturas passam de ocasionais a frequentes, a situação deve ser avaliada com maior cuidado. Alterações súbitas na intensidade ou na frequência dos episódios justificam atenção, sobretudo se surgirem acompanhadas de outros sintomas.
Zumbidos no ouvido, visão dupla, dormência no rosto ou nos membros, alterações do pulso, dores de cabeça, náuseas ou episódios de desmaio são alguns dos sinais que não devem ser ignorados. Segundo a mesma fonte, nestes casos, é recomendada a observação por um profissional de saúde, de forma a identificar a causa e definir o tratamento adequado.
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