Os furtos por carteiristas aumentaram em 2025 em Portugal e o distrito de Faro surge como o terceiro mais afetado, num fenómeno associado sobretudo a zonas turísticas e de grande concentração de pessoas
Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), foram registadas 7.443 ocorrências no ano passado, mais 533 do que em 2024, o que representa uma subida de 7,7%. Depois de Lisboa e Porto, Faro concentrou 7% dos casos nacionais.

O relatório refere que este tipo de crime ocorre sobretudo em “transportes públicos, zonas históricas ou turísticas, eventos de grande dimensão ou estabelecimentos de hotelaria e restauração”, contextos particularmente relevantes numa região como o Algarve, marcada pela forte procura turística.
O RASI alerta ainda para a “elevada especialização criminal” destes grupos, que atuam com divisão de tarefas e “métodos de atuação consolidados”, como distrações, bloqueio de movimentos da vítima ou rápida passagem dos objetos furtados entre elementos do grupo. A nível nacional, as autoridades registaram em média 620 furtos por carteiristas por mês, com maior incidência nos períodos de maior afluência, como julho e dezembro.
Faro entre os distritos com mais vítimas sinalizadas por exploração em 2025
Faro voltou a surgir em destaque no Relatório Anual de Segurança Interna de 2025, que traça o retrato do tráfico de seres humanos em Portugal e coloca o distrito algarvio entre os que registaram mais sinalizações de vítimas.
De acordo com o relatório, entregue esta terça-feira, 31 de março, no parlamento, Faro, Beja e Setúbal foram os distritos com maior número de vítimas sinalizadas no último ano.
No caso de Faro, foram detetadas 27 vítimas, associadas a tráfico laboral, tráfico sexual e mendicidade. Segundo os dados do RASI, a maioria das vítimas sinalizadas em Faro eram mulheres estrangeiras, com destaque para cidadãs da Roménia e do Bangladesh.
No total, o Observatório de Tráfico de Seres Humanos recebeu 307 registos em 2025, menos 48 do que em 2024, sendo que a amostra válida de presumíveis vítimas ficou fixada em 191.
A exploração laboral continuou a concentrar o maior número de casos, com 125 vítimas, maioritariamente homens adultos estrangeiros, sobretudo do Brasil, da Índia e de Timor-Leste.
“Os métodos de recrutamento mantêm-se, globalmente, como promessa de trabalho/contrato/remuneração, alojamento e alimentação”, lê-se no relatório.
O RASI refere ainda 22 sinalizações de exploração sexual, sete de adoção ilegal, cinco de mendicidade e cinco relacionadas com a prática de atividades criminosas.
Algarve entre as zonas com mais crimes de ódio no país
O distrito de Faro está ainda entre as zonas do país com maior incidência de crimes de ódio, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025, divulgado em 31 de março e já entregue ao parlamento.
De acordo com o documento, as polícias registaram 449 participações por crimes de ódio em 2025, o que representa uma subida de 6,7% face ao ano anterior. Faro surge com 8% das ocorrências, atrás de Lisboa, com 30%, Porto, com 15%, e Setúbal, com 9%.
O relatório chama também a atenção para o papel da internet e das redes sociais na prática destes crimes, através da partilha de “conteúdos a incitar à violência, ameaçar, injuriar ou difamar indivíduos ou grupos em razão da sua raça, cor, origem étnica, religião, ou orientação sexual”.
Segundo o RASI, esta realidade torna-se mais grave por envolver jovens. “Esta realidade revela-se ainda mais preocupante quando se constata que muitos dos suspeitos são indivíduos jovens, alguns deles inimputáveis em razão da idade”, lê-se no documento, que refere também “o envolvimento e a cooptação de jovens por grupos ou organizações com algum grau de estruturação”, através de processos de doutrinação e radicalização.
O relatório acrescenta que muitos destes jovens são atraídos por “promessas de pertença” a grupos, o que pode conduzir, sobretudo entre os mais vulneráveis, a uma distorção da realidade e à adesão a teorias da conspiração e retóricas antissistema.
O RASI refere ainda que “o nível de polarização política, racial, religiosa e/ou sexual, acompanhada de fenómenos de desinformação, tem conduzido, de forma geral, a uma maior crispação da sociedade portuguesa”, traduzindo-se por vezes em comportamentos de confrontação e em episódios de violência verbal ou física.
Além dos crimes de ódio, o relatório regista ainda três participações por tortura, tratamentos cruéis, degradantes e desumanos, e 27 participações por outros crimes contra a identidade cultural e integridade pessoal.
Faro entre os distritos com mais criminalidade rodoviária em 2025
A criminalidade rodoviária aumentou 24% em Portugal no ano passado, com 38.463 casos registados, e o distrito de Faro surge entre os cinco com maior incidência, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).
De acordo com o documento, divulgado esta semana, Faro integra o grupo formado por Lisboa, Porto, Setúbal e Aveiro, distritos que, em conjunto, concentram 60% dos crimes rodoviários participados no país.
O relatório indica que, em 2025, subiram os crimes de condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 gramas por litro, a condução perigosa, a condução sem habilitação legal e, ligeiramente, o homicídio por negligência em acidente de viação. Em sentido contrário, desceu de forma acentuada a ofensa à integridade física por negligência em acidente rodoviário.
No total, registaram-se 146.759 acidentes de viação, mais 3,8% do que em 2024. Houve 448 vítimas mortais, menos 6,1%, mas aumentaram os feridos graves, para 2.816, e os feridos ligeiros, para 45.460.
O RASI refere ainda que metade dos casos de condução sob o efeito do álcool ocorreu durante a madrugada, sobretudo em arruamentos e estradas nacionais, sendo a maioria dos infratores homens com idades entre os 41 e os 64 anos.
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