Quem tem viagens marcadas para Portugal no início de junho deve estar atento, numa altura em que a Euronews também alertou para possíveis constrangimentos provocados pela greve geral marcada para 3 de junho. A paralisação poderá afetar centenas de voos, além de serviços ferroviários, metropolitanos e outros transportes públicos, quando o país se aproxima da época alta do turismo
A paralisação foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) para o dia 3 de junho e surge como forma de contestação à reforma laboral “Trabalho XXI”, proposta pelo Governo.
O Executivo defende que a revisão pretende modernizar o mercado de trabalho, aumentar a produtividade e reforçar a conciliação entre vida profissional e familiar, mas os sindicatos consideram que o pacote representa um recuo nos direitos dos trabalhadores.
Tripulantes de cabine juntam-se à greve geral
A aviação deverá ser uma das áreas mais afetadas. Os associados do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, que representa os tripulantes de cabine, aprovaram a adesão à greve geral com 1.729 votos a favor, 333 contra e 133 abstenções, segundo os resultados divulgados pelo jornal ECO.
De acordo com o mesmo jornal, o sindicato estima que estejam em causa mais de 500 voos programados para o dia 3 de junho, podendo a paralisação ter impacto também nos dias anteriores e posteriores. A operação da TAP, Portugália, SATA e de companhias com bases em Portugal, como easyJet e Ryanair, poderá sentir constrangimentos.
Apesar do aviso sindical, até ao momento não há indicação oficial, por parte das companhias aéreas, de uma lista fechada de voos cancelados. O ECO refere que questionou a TAP e a SATA sobre eventuais ajustamentos à operação, mas não tinha obtido resposta na altura da publicação.
Transportes públicos também podem ser afetados pela greve geral
A greve geral não se limita aos aeroportos. A FECTRANS, federação ligada aos transportes e comunicações, anunciou que os seus sindicatos estão a preparar a mobilização dos trabalhadores para a greve geral, apontando como motivos a valorização dos salários, a melhoria das condições de trabalho e a contestação ao pacote laboral.
Segundo a FECTRANS, já foram entregues pré-avisos de greve em vários setores, incluindo transportes rodoviários, ferroviários, metropolitanos, fluviais, portuários, correios e telecomunicações. Na lista divulgada pela federação constam empresas e entidades como a CP, Infraestruturas de Portugal, Carris, Metropolitano de Lisboa, Metro do Porto, Metro do Mondego, Metro Transportes do Sul, Transtejo Soflusa e CTT.
Isto significa que residentes e turistas poderão enfrentar dificuldades nas deslocações dentro das cidades e entre regiões, sobretudo em Lisboa e no Porto, onde a dependência de metro, comboio e autocarros é elevada. A dimensão real dos constrangimentos dependerá da adesão dos trabalhadores e dos serviços mínimos que venham a ser definidos.
Qual é a origem da contestação laboral?
No centro da contestação está a proposta de revisão da legislação laboral aprovada pelo Governo em Conselho de Ministros a 14 de maio.
Entre as medidas anunciadas pelo Executivo estão alterações ao banco de horas, aos contratos a termo, ao teletrabalho, ao trabalho em plataformas digitais, ao trabalho suplementar, à contratação coletiva e ao regime de serviços mínimos em greves de setores considerados vitais.
O Governo afirma que a reforma “Trabalho XXI” pretende tornar as empresas mais competitivas, promover melhores salários e responder aos desafios da economia digital. Já as estruturas sindicais têm criticado a proposta por considerarem que aumenta a flexibilidade das empresas à custa da segurança e dos direitos dos trabalhadores.
Cuidados a ter para quem vai viajar
Quem tem voo, comboio ou ligação por transporte público marcada para 3 de junho deve acompanhar as comunicações das companhias aéreas, operadores de transporte e aeroportos nos dias anteriores à greve geral. Também é aconselhável confirmar horários, chegar com mais antecedência e preparar alternativas de deslocação, sobretudo no caso de viagens com ligações internacionais ou compromissos no próprio dia.
Para já, a greve geral mantém-se marcada para 3 de junho e abrange vários setores, pelo que os efeitos poderão variar de região para região.
A principal recomendação é verificar diretamente junto da transportadora ou empresa responsável pela viagem, uma vez que só essas entidades poderão confirmar alterações, atrasos ou cancelamentos concretos.
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