Muito de sempre o mesmo, queixando-nos sempre das mesmas mágoas, raivas e rancores… Estagnados nos mesmos factos passados, onde a responsabilidade do que aconteceu tem, geralmente, um outro nome que não o nosso.
É nestes ressentimentos, frustrações, emoções densas recalcadas que ‘moram’ os bloqueios que podem contribuir, por exemplo, para o aparecimento de doenças.
O nosso presente pode, efetivamente, ressentir-se por essas experiências dependendo de qual o significado lhes foi atribuído, é assim que ficam registadas e arrumadas no mais profundo de nós.
Situações, acontecimentos e as sensações, pensamentos e emoções que se lhes associaram criam uma espécie de registo interno para a sobrevivência. Podemos não ter consciência da sua existência mas ele aparece quando menos o imaginamos, porque algo no aqui e agora faz que o gatilho -ligado à experiência passada – se ative e então o comportamento – de medo, de agressividade, de ansiedade, etc. – se manifesta.
Quando começamos a fazer um trabalho de conhecimento interior, sentimos que algo novo e melhor pode acontecer connosco, que podemos criar algo diferente e onde a responsabilidade sobre a nossa vida e o rumo que queremos dar-lhe a partir do presente, tem nome: o nosso.
Esse é um movimento de responsabilização ativa e positiva que implica empoderamento, auto-consciência, afirmação… Em definitiva: auto-conhecimento que, em certa medida, dá início a um movimento de cura interior.
Ainda assim, custa um pouco, porque há resistências internas à evolução do processo. No entanto, já conscientes dessa possibilidade natural do próprio processo, pôr mãos à obra e fazer algo por nós é imperativo. Mesmo avançando por tentativa e erro, o importante é sair da repetição negativista que nos mantém inertes e atuar.
Como nos apercebemos que estamos a avançar? Que realmente estamos a mudar?
Sinto-por experiência própria- que começamos a perceber que algo está a mudar quando, frente a uma situação que antigamente causava alguma instabilidade emocional hoje já não tem esse efeito. Ou seja, o `poder´ deixou de ser do acontecimento -sensação, memoria, pessoa, etc.- e passou a ser nosso.
Embora o processo de auto-conhecimento – com todas as suas ‘componentes’ como por exemplo: o poder pessoal, o amor próprio, a auto-valorização, a humildade, etc, que dele advêm- possa levar tempo, vale a pena fazê-lo, pois é um ato de amor para connosco.
Tomar consciência que é da nossa responsabilidade cuidar de nós mesmos, e atuar em conformidade, fará com que o possamos ‘cultivar’e fazer crescer ainda mais a nossa paz, equilíbrio e harmonia interior.
Acredito que, é nessa consciência e forma de ser e estar que devemos posicionar-nos, sabendo que podemos (re)significar a nossa historia seguindo o nosso próprio caminho, fazendo boas escolhas para incrementar nosso bem-estar e felicidade.
A vida é o que é, e cabe a nós fazê-la à nossa maneira, sendo verdadeiros e fiéis a nós mesmos, à nossa realidade interior e ao nosso modo de ser: livres, compassivos, merecedores, onde o importante é o amor por nós, pelos outros e por todos.
Convido-vos a experimentarem. Pode ser que se surpreendam!
Gratidão!
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