Depois de várias semanas de calor e tempo seco, Portugal prepara-se para uma mudança marcada por poeiras vindas do Norte de África, chuva, vento e uma descida das temperaturas. Os efeitos deverão fazer-se sentir durante vários dias, com a alteração mais evidente prevista para a reta final de setembro.
O estado do tempo vai passar por diferentes fases nos próximos dias. Primeiro, Portugal continental continuará sob influência de ar quente e seco, acompanhado por uma intrusão de poeiras do Saara. Pouco depois, uma frente fria deverá atravessar o território e trazer chuva, vento e temperaturas mais baixas. Segundo uma análise do especialista Alfredo Graça publicada pela Meteored, o Atlântico será palco de um forte contraste entre massas de ar quente e frio que acabará por influenciar diretamente Portugal durante vários dias.
Poeiras começam a chegar já este sábado
Antes da chuva, o céu poderá ganhar um aspeto mais turvo. A partir deste sábado, 26 de setembro, uma extensa massa de partículas provenientes do Norte de África deverá avançar sobre Portugal continental, começando pelo sul e progredindo gradualmente para norte.
As poeiras poderão deixar o céu com uma aparência esbranquiçada ou acinzentada e deverão permanecer sobre o território durante o fim de semana e parte de segunda-feira. A Meteored aponta precisamente para segunda-feira, dia 28, como um dos momentos em que esta intrusão poderá ser mais evidente.
E pode mesmo chover com poeiras no ar
A presença de poeiras não impede a ocorrência de precipitação. Quando a chuva atravessa uma camada atmosférica com partículas minerais, estas podem ser transportadas pelas gotas até ao solo, dando origem ao fenómeno vulgarmente conhecido como “chuva de lama”.
No entanto, os mapas do modelo CAMS analisados pela Meteored não apontam, para já, para concentrações suficientemente elevadas para que este fenómeno tenha grande expressão. Ainda assim, carros, janelas ou outras superfícies poderão ficar com marcas caso a chuva coincida com concentrações relevantes de poeira.
Terça-feira traz a maior mudança
A alteração mais significativa está prevista para terça-feira, 29 de setembro. Uma frente fria associada a um sistema de baixas pressões muito profundo no Atlântico Norte deverá aproximar-se de Portugal e favorecer a entrada de ar mais fresco, chuva e vento.
Será nessa altura que o ar atlântico começará a substituir o ar quente que tem dominado o território, levando também a uma descida progressiva das temperaturas. A mudança deverá ser particularmente evidente depois de vários dias em que algumas regiões ainda poderão ultrapassar os 30 ºC.
Chuva e vento podem acompanhar os últimos dias do mês
O mau tempo não deverá ficar limitado a algumas horas. Segundo a Meteored, as linhas de instabilidade e a frente fria associadas às depressões do Atlântico deverão influenciar Portugal durante os últimos quatro dias de setembro, embora a intensidade da precipitação e do vento possa variar bastante entre regiões.
A terça-feira surge como um dos dias mais importantes, mas a instabilidade poderá prolongar-se por quarta-feira, dia 30, com possibilidade de aguaceiros em várias zonas. A localização exata das frentes continuará a determinar quais serão as áreas que recebem mais chuva.
Calor começa finalmente a perder terreno
O contraste entre as massas de ar terá também efeitos claros nas temperaturas. De acordo com a Meteored, o ar frio proveniente do Atlântico deverá avançar de noroeste para sudeste, afastando progressivamente o ar quente associado às altas pressões e à massa de origem africana.
Isso deverá traduzir-se numa descida gradual das temperaturas durante os últimos dias de setembro e, possivelmente, também no início de outubro. Depois de máximas que podem continuar muito elevadas neste sábado, os valores deverão aproximar-se bastante mais daqueles que são habituais para o início do outono.
Tempestade tropical também mexe com o cenário
Ao mesmo tempo que as depressões atlânticas avançam a norte, outro sistema está a influenciar indiretamente o tempo na região. A tempestade tropical Gonzalo, formada no Atlântico junto à costa ocidental africana, deverá contribuir para deslocar ar quente e poeiras do Saara em direção à Península Ibérica.
Isto não significa que a tempestade vá atingir Portugal. O efeito previsto é indireto e está relacionado sobretudo com a circulação atmosférica criada pelo sistema. É precisamente esta combinação entre o ar quente que sobe de sul e o ar mais frio que avança do Atlântico que explica a sucessão de poeiras, vento, chuva e queda das temperaturas.
Vários dias de tempo muito diferente
Portugal terá, assim, uma sequência de dias marcada por condições bastante distintas. Entre sábado e segunda-feira, o destaque estará sobretudo no calor e nas poeiras em suspensão. A partir de terça-feira, 29 de setembro, o cenário muda, com chuva, vento e uma entrada de ar mais fresco.
A instabilidade poderá continuar até ao final do mês, numa mudança que deverá finalmente afastar boa parte do tempo quente e seco que caracterizou setembro. Como sempre acontece com previsões a vários dias, a posição e velocidade das frentes poderão ainda sofrer alterações. As próximas atualizações permitirão perceber com maior precisão onde deverá chover mais e quais as regiões onde o vento será mais intenso.
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