O estado do tempo prepara-se para mudar na reta final de setembro. Segundo a Meteored, duas depressões deverão interagir no Atlântico Norte e poderão dar origem a uma depressão muito profunda. O núcleo do sistema deverá permanecer bastante afastado de Portugal continental. Ainda assim, a extensa circulação associada poderá empurrar frentes em direção ao território nacional, trazendo chuva, aumento do vento e uma mudança para um padrão bastante mais atlântico.
Açores serão os primeiros a sentir os efeitos
A alteração começa no arquipélago dos Açores. No domingo, 27 de setembro, uma primeira depressão deverá aproximar-se das ilhas, provocando aumento da nebulosidade, precipitação e intensificação do vento. O agravamento deverá tornar-se mais evidente entre domingo e segunda-feira.
Na segunda-feira, dia 28, a chuva poderá ganhar maior expressão, sobretudo no Grupo Central. Segundo a Meteored, os acumulados horários poderão pontualmente ultrapassar os 6 milímetros, enquanto as rajadas de vento se poderão aproximar dos 70 km/h depois da passagem do núcleo depressionário.
Duas depressões podem juntar-se na terça-feira
É durante a madrugada de terça-feira, 29 de setembro, que a situação poderá tornar-se mais invulgar. A depressão que anteriormente terá passado pela região dos Açores deverá aproximar-se de outro centro de baixas pressões já organizado no Atlântico Norte.
Os dois sistemas poderão entrar numa interação conhecida como efeito Fujiwhara, que ocorre quando duas circulações ciclónicas suficientemente próximas começam a influenciar as trajetórias uma da outra. Nos cenários analisados pela Meteored, esta interação poderá resultar numa única depressão muito profunda, com a pressão no centro a descer para valores próximos dos 952 hPa.
O que significa uma ciclogénese explosiva?
Apesar do nome, não está em causa uma “explosão” propriamente dita. Uma ciclogénese explosiva acontece quando uma depressão extratropical sofre um aprofundamento muito rápido, traduzido numa descida acentuada da pressão atmosférica num espaço de poucas horas.
O limiar utilizado para classificar o fenómeno depende da latitude. Por isso, a conhecida referência a uma descida de 24 hPa em 24 horas não funciona como um valor fixo para todas as regiões. Neste caso, a Meteored considera que o rápido aprofundamento projetado pelos modelos poderá cumprir os critérios de ciclogénese explosiva.
Chuva pode chegar ao continente na terça-feira
Apesar de o centro da depressão ficar longe do território continental, Portugal poderá sentir os efeitos através de uma extensa frente associada ao sistema. Durante a tarde de terça-feira, 29 de setembro, uma frente fria organizada deverá aproximar-se da costa e atravessar progressivamente Portugal continental, trazendo períodos de chuva a várias regiões.
As previsões atualmente disponíveis apontam também para uma descida clara das temperaturas: depois de máximas ainda próximas ou acima dos 30 graus no fim de semana, os valores deverão aproximar-se dos 20 e poucos graus em várias zonas durante os dias 29 e 30.
Madeira também poderá receber precipitação
A frente poderá ser suficientemente extensa para alcançar igualmente a Madeira. Os modelos admitem que o sistema frontal se prolongue para sul e chegue ao arquipélago durante a madrugada de quarta-feira, 30 de setembro, provocando períodos de precipitação.
Este cenário apresenta, contudo, maior incerteza, já que pequenas alterações na trajetória ou velocidade da frente poderão mudar significativamente a quantidade de chuva que chega à região.
Instabilidade pode continuar até 1 de outubro
A passagem desta primeira frente poderá não significar o fim imediato da chuva. Uma segunda frente, embora previsivelmente mais fraca, poderá aproximar-se posteriormente de Portugal continental. Neste cenário, os efeitos deverão concentrar-se principalmente nas regiões Norte e Centro, onde poderão voltar a ocorrer períodos de precipitação.
Assim, entre 29 de setembro e 1 de outubro, Portugal poderá abandonar temporariamente o padrão quente e seco das últimas semanas e entrar numa fase mais fresca, húmida e instável.
Previsão ainda pode mudar
Há, no entanto, uma ressalva importante. A previsão ainda se encontra a vários dias de distância e a evolução de sistemas depressionários tão profundos pode sofrer alterações significativas. A trajetória exata da depressão, a intensidade do aprofundamento e a hora de chegada das frentes a Portugal ainda poderão mudar nas próximas atualizações.
Para já, os dias mais importantes a acompanhar são 27 e 28 de setembro nos Açores e 29 e 30 de setembro em Portugal continental, com a possibilidade de a instabilidade continuar no início de outubro.
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