A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) detetou “desequilíbrios territoriais significativos” no acesso aos cuidados de saúde em Portugal continental, com o Algarve a surgir como uma das regiões mais pressionadas, segundo um estudo divulgado esta terça-feira sobre o funcionamento das 39 Unidades Locais de Saúde (ULS) em 2025.
De acordo com o regulador, a ULS do Algarve foi a única do país a apresentar, em simultâneo, níveis elevados de necessidades em cuidados de saúde primários e rácios também elevados de profissionais, um quadro que, ainda assim, evidencia “desequilíbrios persistentes entre necessidades e oferta”.
Nos cuidados hospitalares, a situação algarvia volta a destacar-se pela negativa. A ERS refere que 90,1% da população residente na área da ULS do Algarve vive em concelhos com “nível baixo de acesso potencial” aos hospitais, um dos valores mais elevados do país, apenas abaixo do Nordeste, o que reflete maiores distâncias às unidades hospitalares e menor capacidade instalada ajustada à procura.
O estudo conclui que estas assimetrias territoriais continuam a marcar o acesso à saúde, sobretudo em regiões periféricas e do interior, e identifica também constrangimentos na articulação com a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e na contratação de recursos humanos.
Segundo a ERS, estas desigualdades podem ter impacto direto na resposta prestada às populações e na sustentabilidade operacional das unidades de saúde.
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