Um estudo do Banco de Portugal revela que comprar casa em Portugal continua a exigir um esforço financeiro acima do recomendado para as famílias com rendimento mediano, mas em vários concelhos do Algarve essa meta torna-se praticamente impossível.
A análise conclui que o peso da prestação da casa superou os 40% do rendimento mediano, um limiar que o banco central considera ser já sinal de sobrecarga. Depois de ter atingido 53% no final de 2023, este indicador desceu ligeiramente para 48% nos primeiros três trimestres de 2025, mas manteve-se em níveis elevados.
O estudo sublinha que, em alguns municípios algarvios, “a compra só é acessível para famílias com poupança acumulada ou não residentes no município com rendimentos mais elevados (incluindo residentes no estrangeiro)”, o que acentua as dificuldades de acesso à habitação para quem vive e trabalha na região.
Taxa de esforço ultrapassa os 40%
Entre 2019 e o final de 2023, o número de municípios onde a taxa de esforço ultrapassa os 40% subiu de nove para 104, num total de 294 analisados. Segundo o Banco de Portugal, este “aumento das barreiras no acesso à habitação via crédito no período recente” mantém-se mesmo quando se analisam casas mais modestas ou a situação dos jovens. Também no arrendamento a pressão continua elevada.
O rácio entre a renda de uma habitação mediana e o rendimento mediano das famílias passou de 36% em 2019 para 47% no início de 2025, refletindo a subida generalizada das rendas, sobretudo nas zonas do litoral, onde a procura continua a superar a oferta.
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