Com uma redução de 1,1% nos encargos durante 2025, o Algarve contrariou a subida nacional da despesa do Serviço Nacional de Saúde com radiologia no setor convencionado, mas manteve-se como a única região do país com um nível de concentração elevado, de acordo com a Entidade Reguladora da Saúde.
Os dados, divulgados a 4 de agosto, integram a monitorização realizada pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS) sobre o setor convencionado de radiologia em 2024 e 2025.
A nível nacional, o SNS gastou 135,6 milhões de euros em exames realizados por prestadores não públicos com convenção, mais 3,2% do que no ano anterior. A radiologia é a quarta área convencionada com maior peso nos encargos do serviço público de saúde.
Algarve contraria subida da despesa nacional
O aumento dos encargos verificou-se em Lisboa e Vale do Tejo, com uma subida de 4,8%, no Norte, com mais 3,7%, e no Centro, onde a despesa avançou 2,5%.
Em sentido contrário, o Alentejo registou uma redução de 8,2% e o Algarve uma descida de 1,1%.
A maior parte da despesa continuou concentrada nas regiões Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, com 54,1 milhões e 45,9 milhões de euros, respetivamente. Em conjunto, estas duas regiões representaram 73,8% de todos os encargos do SNS com radiologia convencionada em Portugal continental.
Quando considerada a despesa por mil habitantes, o Centro apresentou o valor mais elevado, com 15.265 euros, seguindo-se o Norte, com 14.679 euros. Ambas as regiões ficaram acima da média nacional.
Mais de 150 concelhos sem oferta convencionada
No início de 2026, estavam inscritos no Sistema de Registo de Estabelecimentos Regulados da ERS 795 estabelecimentos com atividade na área da radiologia, mais 11% do que em 2024.
Do total, 670, correspondentes a 84,3%, eram estabelecimentos não públicos, incluindo entidades privadas, cooperativas e do setor social. Em 2025, quase metade desta oferta, 48,1%, tinha convenção com o SNS.
Apesar do aumento do número de estabelecimentos, não existia oferta não pública convencionada em 154 concelhos, onde residia 15,4% da população de Portugal continental. A ERS estimou que o tempo mínimo de viagem entre um concelho sem oferta e o município mais próximo com exames convencionados variava entre 13 minutos, na região de Lisboa e Vale do Tejo, e quase duas horas, no Alentejo.
Em 49 destes concelhos, a deslocação mínima ultrapassava os 45 minutos. A população aí residente representava 3,7% do total de habitantes de Portugal continental.
Menos requisições apesar do aumento dos gastos
Embora os encargos do SNS tenham aumentado, o número de requisições por mil habitantes diminuiu.
Em 2025, foram registadas 427 requisições por cada mil habitantes, menos 4,8% do que no ano anterior. A análise mostra ainda que 27,7% dos operadores foram responsáveis por 80,1% das requisições aceites durante o ano passado.
Os indicadores de concentração diminuíram 1,3 pontos percentuais no conjunto do país, mantendo o mercado nacional num “nível de concentração reduzido”, refere a ERS.
O Algarve foi a única região que continuou a apresentar um nível de concentração elevado, embora este tenha diminuído face ao período anterior.
A.Pinto / HDF
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