Perante a redução do contributo do turismo para o crescimento real do Produto Interno Bruto, a Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve defende que o setor deve continuar a aumentar as receitas e privilegiar a qualidade da procura, em vez de procurar apenas receber mais visitantes.
O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Hélder Martins, reagiu aos resultados da Conta Satélite do Turismo, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 3 de agosto.
Os dados mostram que o turismo contribuiu com 36.200 milhões de euros para a economia portuguesa em 2025, o equivalente a 11,8% do PIB. O Valor Acrescentado Bruto gerado pelo setor atingiu 30.400 milhões de euros, representando 11,4% do total nacional.
Algarve quer faturar mais, não apenas receber mais turistas
Face a 2024, o PIB e o Valor Acrescentado Bruto do turismo aumentaram, em termos nominais, 5,3% e 5,5%, respetivamente. O INE assinalou, contudo, que o contributo do setor para o crescimento real da economia continua positivo, mas tem vindo a diminuir.
Hélder Martins recordou que 2025 foi “o melhor ano de sempre” para o turismo e garantiu que as empresas algarvias continuam a trabalhar para melhorar as receitas e superar os resultados alcançados.
“Nós temos tido, nos últimos anos, uma prestação acima de tudo o resto e, portanto, se em algum período não conseguimos atingir essa superação, nós somos apenas uma atividade dentro de todas aquelas que compõem o PIB”, afirmou o presidente da AHETA.
O dirigente reconheceu que houve anos em que o turismo representou entre 15% e 16% do PIB, defendendo que o setor deve continuar a trabalhar para reforçar o seu contributo para a economia portuguesa.
“O nosso objetivo hoje não é simplesmente ter mais turistas, é ter melhores turistas, porque mais turistas com preços mais baixos não é isso propriamente que é o ideal”, considerou.
Para Hélder Martins, uma redução temporária do peso do turismo no crescimento económico não deverá alterar a estratégia seguida desde a recuperação da atividade após a pandemia de covid-19.
“2025 foi o melhor ano turístico de sempre e este ano não andamos muito longe de 2025, estamos com números muito próximos, portanto, temos de continuar a trabalhar, a melhorar e a tentar faturar mais”, afirmou.
Contributo para o crescimento do PIB tem diminuído
Os dados do INE mostram que o contributo do turismo para a variação real do PIB tem perdido intensidade desde 2022.
Nesse ano, o setor foi responsável por 3,6 pontos percentuais do crescimento económico de 7%. Em 2023, contribuiu com 1,2 pontos percentuais para uma subida do PIB de 3,1%.
O contributo desceu depois para 0,4 pontos percentuais em 2024 e para 0,3 pontos percentuais em 2025.
No último ano, o Valor Acrescentado Bruto diretamente gerado pelo turismo aumentou 5,6% em termos nominais, uma variação igual à registada no conjunto do Valor Acrescentado Bruto nacional.
Já o Consumo do Turismo no Território Económico cresceu 4,9%, abaixo da subida nominal de 5,9% registada pelo PIB português.
Guerras e combustíveis pressionam atividade
O presidente da AHETA apontou também fatores externos que estão a condicionar o desempenho do setor, nomeadamente as guerras na Ucrânia e no Irão.
Os conflitos provocaram “um aumento brutal do preço dos produtos petrolíferos” e criaram “um conjunto de fatores que não são propriamente os mais positivos para o desenvolvimento da atividade”, afirmou Hélder Martins.
Apesar destes constrangimentos e da menor contribuição para o crescimento real do PIB, o responsável considera que os resultados de 2026 permanecem próximos dos máximos alcançados no ano passado e que a prioridade deve continuar a ser aumentar o valor económico gerado pelo turismo.
A.Pinto / HDF
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