A Grande Lisboa foi, em 2024, a única região do país a superar a média europeia em produto interno bruto por habitante corrigido por paridades de poder de compra. De acordo com o INE, atingiu 128,9 por cento face à média da União Europeia, um resultado que reforça a desigualdade interna e mantém Lisboa isolada como o principal polo económico nacional.
Ainda segundo o INE, as restantes regiões portuguesas continuam abaixo do limiar europeu, embora a maioria tenha registado uma aproximação. O dado surge nas Contas Nacionais regionais hoje divulgadas e volta a colocar o debate sobre coesão territorial no centro da agenda.
Lisboa destaca-se num país ainda marcado por disparidades
De acordo com o INE, a Grande Lisboa voltou a ultrapassar a média da UE27 em 2024, consolidando um padrão que se mantém há vários anos. A região apresenta um conjunto de fatores que explicam este diferencial: maior concentração de atividade empresarial, salários médios mais elevados, presença de serviços públicos centrais e peso significativo dos setores financeiro, tecnológico e administrativo.
Segundo a mesma fonte, todas as outras regiões portuguesas registaram melhorias, à exceção do Alentejo, que permaneceu nos 77,1 por cento. O Algarve subiu para 89,2 por cento, a Madeira para 88,3 por cento e os Açores atingiram 72,5 por cento. Já o Centro e o Norte apresentaram valores quase idênticos, com 70,7 e 70,8 por cento, respetivamente.
Oeste e Vale do Tejo (64,6 por cento) e a Península de Setúbal (55,4 por cento) continuam a ser as regiões mais afastadas da média europeia, apesar de terem registado algum progresso.
Disparidade interna mantém-se elevada
O contraste também se observa quando os dados são comparados à média nacional. Segundo o documento do INE, a Grande Lisboa registou um índice de disparidade de 156,5, o mais alto do país. Embora o valor seja ligeiramente inferior ao de 2023, mantém-se muito acima das restantes regiões.
Seguem-se o Algarve (108,3) e a Madeira (107,2), ambas acima da média nacional e ambas com valores superiores aos do ano anterior. No extremo oposto, a Península de Setúbal apresenta o índice mais baixo, com 67,3, ainda que também tenha subido face a 2023. Segundo a publicação, estes resultados sugerem “uma ligeira atenuação da disparidade regional”, embora o fosso estrutural se mantenha evidente.
Poder de compra do país melhora, mas continua longe da média da União Europeia
Ao nível nacional, Portugal atingiu 82,4 por cento da média europeia em poder de compra, um aumento de 1,3 pontos percentuais face a 2023. Segundo o INE, o país manteve a 15.ª posição entre os 20 Estados da zona euro e a 18.ª no conjunto da UE.
Apesar de a tendência ser positiva, o afastamento face à média europeia continua significativo, refletindo desafios como produtividade ainda baixa, salários médios reduzidos e fortes assimetrias regionais.
O que estes números revelam
A fotografia traçada pelo INE mostra um país que progride, mas que o faz a ritmos distintos. Lisboa permanece como o motor económico e o único território com capacidade de ultrapassar a média europeia, enquanto o resto do país avança de forma mais lenta. A ligeira redução das disparidades confirma algum equilíbrio, mas não altera a estrutura profunda das desigualdades.
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