Uma operação pode interromper uma carreira e tornar o regresso ao trabalho mais difícil do que se esperava. Quando as oportunidades de emprego não aparecem, criar um negócio pode ser uma forma de voltar a ter uma atividade e garantir rendimentos até à idade da reforma.
Foi esse o percurso relatado por Rosa Valente, que tinha 66 anos quando falou ao jornal O MIRANTE, numa reportagem publicada em 16 de março. Antiga cozinheira, estava à frente da loja Arraiolos e Têxteis Lar, em Ourém, e ainda aguardava pela idade da reforma.
Operação ao coração aos 52 anos
Rosa tinha trabalhado na restauração e em instituições de apoio a idosos, sempre ligada à cozinha. Aos 52 anos, uma operação ao coração interrompeu esse percurso, seguindo-se sete meses de baixa e, posteriormente, o desemprego.
O testemunho descreve uma mudança profissional marcada pela doença e pela dificuldade em encontrar outra oportunidade. Foi nesse contexto, ainda longe da reforma, que procurou uma alternativa ao trabalho que tinha exercido até então.
“Não me deram mais trabalho”
“Não me deram mais trabalho”, contou ao jornal. Sem conseguir regressar ao mercado de trabalho, Rosa decidiu aproveitar as suas competências noutra área e passou a dedicar-se ao comércio, assumindo a gestão de um estabelecimento.
Assumiu uma loja que ia fechar
A oportunidade surgiu quando soube que uma loja dedicada a Arraiolos e lãs estava prestes a encerrar. Rosa assumiu o espaço, situado na Rua Carvalho Araújo, e, à data da reportagem, já o explorava há cerca de onze anos.
Costura acompanhava-a desde jovem
Embora tivesse trabalhado como cozinheira, a costura fazia parte da sua vida desde a juventude. Aprendera na aldeia onde vivia, fizera roupa para outras pessoas e desenvolvera um gosto particular pelas malhas.
Essa experiência continuava presente no negócio. Além dos artigos que comercializava, produzia peças próprias para venda e aceitava pequenos arranjos. A oferta incluía também lãs, artigos para bebé, pijamas e materiais de costura.
Negócio que cobria as próprias despesas
A atividade não proporcionava grandes lucros. Ainda assim, Rosa explicava que “a loja paga-se a ela própria”, descrevendo um negócio que conseguia sustentar o seu funcionamento, embora sem gerar um rendimento significativo.
A loja tinha surgido como resposta à dificuldade de encontrar emprego depois da operação e do desemprego. Cerca de onze anos mais tarde, continuava a ser a sua atividade profissional enquanto esperava pela reforma.
Aos 66 anos, ainda aguardava pela idade da reforma
Em março, Rosa ainda esperava atingir a idade da reforma. A reportagem não refere um pedido de pensão atrasado nem divulga qualquer valor a receber, pelo que não permite apresentar a comerciante como já reformada.
Leia também: Mercadona ‘acelera’ expansão em Portugal e estreia-se neste distrito: nova loja já abriu
















