Os salários na Europa continuam a mostrar diferenças profundas entre países, sobretudo quando se compara não apenas o que as empresas pagam, mas também aquilo que realmente chega ao trabalhador depois de impostos e contribuições. É essa leitura que ajuda a perceber melhor o peso do trabalho e dos descontos em cada economia.
Segundo dados divulgados pela Euronews com base em números recentes do Eurostat, o Luxemburgo, país onde vivem perto de 100.000 portugueses, lidera a tabela dos salários líquidos médios por hora na Europa, com 49,7 euros, seguido da Islândia, Noruega e Dinamarca. No lado oposto aparecem Letónia, Roménia e Bulgária, com os valores mais baixos.
Para Portugal, o retrato é bem menos favorável. Dados oficiais do Eurostat mostram que, em 2024, um trabalhador solteiro sem filhos e com salário médio teve ganhos líquidos anuais de 16.946,92 euros, um valor claramente abaixo da média da União Europeia (UE), de 29.572,68 euros, e também da média da zona euro, de 32.347,23 euros.
A distância em relação aos países mais bem pagos também se nota noutro indicador. No salário horário bruto mediano, Portugal apareceu em 2022 entre os valores mais baixos da UE, com 6,2 euros por hora, apenas acima de Bulgária, Roménia e Hungria no destaque feito pelo Eurostat.
Leste europeu acelera mais depressa
Entre 2021 e 2025, os maiores aumentos dos salários líquidos foram registados na Bulgária, Polónia e Roménia. Pelo contrário, Noruega, Suécia e Itália tiveram crescimentos muito mais modestos, enquanto Alemanha, França e Espanha ficaram abaixo da média europeia referida pela mesma fonte.
Isto significa que há países a recuperar terreno, mas os salários mais altos continuam concentrados no Norte e no centro mais rico da Europa. No caso português, os dados mostram que o país permanece distante desse grupo quando se olha para o rendimento disponível dos trabalhadores.
Peso dos descontos também conta
A comparação europeia não se faz apenas pelo que entra na conta ao fim do mês. Em 2025, o custo horário médio do trabalho foi de 34,9 euros na UE e de 38,2 euros na área do euro, com o Luxemburgo no topo e a Bulgária no extremo oposto. Segundo o Eurostat, os custos não salariais, como as contribuições sociais suportadas pelos empregadores, representaram em média 24,8% do custo total do trabalho na UE e 25,6% na zona euro.
Em Portugal, a OCDE indica que o chamado tax wedge, que junta imposto sobre o rendimento e contribuições pagas por trabalhador e empregador, ficou em 39,4% para um trabalhador solteiro com salário médio em 2024, acima da média da OCDE, de 34,9%. Ainda assim, o salário líquido desse trabalhador correspondeu a 75% do salário bruto.
Para os portugueses, a conclusão é clara: Portugal continua abaixo das médias da Europa quando se olha para o salário líquido anual (após impostos) e permanece longe dos países que lideram a tabela dos rendimentos. Ao mesmo tempo, os dados lembram que o debate sobre salários não depende só do ordenado bruto, mas também do peso dos descontos e do custo total do trabalho.
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