A proposta de descida do IRS aprovada pelo Governo promete deixar mais rendimento disponível nas mãos dos contribuintes já em 2026. O alívio fiscal abrange todos os níveis de rendimento, mas não terá o mesmo impacto para todos: enquanto alguns trabalhadores verão a fatura do imposto diminuir apenas algumas dezenas de euros por ano, outros poderão beneficiar de reduções bastante mais expressivas.
De acordo com o Notícias ao Minuto, todos os escalões de rendimento beneficiam da revisão das taxas do imposto, embora os ganhos sejam mais evidentes nos escalões intermédios. A análise, divulgada à agência Lusa, mostra que o efeito da redução não é uniforme ao longo da tabela de IRS.
A proposta de lei aprovada em Conselho de Ministros prevê uma descida das taxas dos seis primeiros escalões de rendimento, mantendo inalteradas as dos três últimos. Ainda assim, mesmo os contribuintes abrangidos pelos escalões superiores sentirão algum alívio, uma vez que o IRS continua a ser calculado de forma progressiva.
Quanto poderá poupar um trabalhador solteiro?
As simulações apontam para ganhos que variam significativamente consoante o rendimento bruto mensal.
Um trabalhador solteiro, sem filhos, que receba 1.000 euros brutos por mês terá uma redução adicional de 12 euros por ano face ao regime atualmente em vigor. Já quem aufira 1.150 euros brutos mensais poderá poupar mais 41 euros anuais.
À medida que o rendimento aumenta, o benefício também cresce. Num salário bruto de 1.250 euros, a poupança sobe para 48 euros por ano. Para quem recebe 1.500 euros, o ganho adicional é de 65 euros. Nos 1.750 euros mensais, a redução alcança os 83 euros anuais.
Os contribuintes com salários de 2.000 euros brutos poderão beneficiar de um desagravamento de 100 euros por ano. Nos rendimentos de 2.500 euros, a diferença aumenta para 133 euros, enquanto nos 3.000 euros chega aos 154 euros anuais.
A partir daí, o efeito estabiliza gradualmente. Quem recebe 3.500 euros terá um alívio de 171 euros por ano, valor que sobe apenas mais um euro nos salários de 4.000, 5.000, 7.000, 7.500 ou mesmo 8.000 euros brutos mensais, fixando-se nos 172 euros.
Os cálculos apresentados indicam que estes valores são igualmente aplicáveis a trabalhadores solteiros com um filho.
Casais com filhos também beneficiam
Nos agregados familiares compostos por casais, com ou sem filhos, a tendência mantém-se. As reduções tornam-se mais expressivas à medida que os rendimentos aumentam, embora existam exceções nos casos em que os contribuintes já se encontram isentos do pagamento de IRS.
É o caso de um casal com dois filhos em que ambos os elementos recebem 1.000 euros brutos por mês. Neste cenário não existe qualquer alteração, porque o agregado já não paga imposto.
Se cada um dos membros do casal receber 1.150 euros mensais, a redução adicional no IRS ascende a 82 euros por ano. Com salários de 1.250 euros, o ganho sobe para 96 euros anuais.
Num rendimento bruto de 1.500 euros por cada elemento do casal, a poupança atinge os 131 euros. O valor aumenta para 166 euros quando cada um recebe 1.750 euros por mês e para 201 euros quando os salários chegam aos 2.000 euros.
Os ganhos continuam a crescer até aos rendimentos intermédios. Nos salários de 2.500 euros, a redução fiscal é de 267 euros anuais. Nos 3.000 euros, alcança 308 euros e, nos 3.500 euros, chega aos 343 euros.
Já nos salários de 4.000 e 5.000 euros, o corte no imposto fixa-se nos 344 euros por ano, voltando para 343 euros nos rendimentos de 7.000, 7.500 e 8.000 euros.
O que vai mudar nas taxas de IRS?
A proposta do executivo prevê uma descida de 0,3 pontos percentuais na taxa do primeiro escalão e de 0,5 pontos percentuais entre o segundo e o quinto escalões. No sexto escalão, a redução volta a ser de 0,3 pontos percentuais.
Com estas alterações, a taxa do primeiro escalão passa de 12,5% para 12,2%. No segundo escalão, desce de 15,7% para 15,2%. O terceiro escalão vê a taxa recuar de 21,2% para 20,2%.
Já o quarto escalão passa de 24,1% para 23,6%, enquanto o quinto baixa de 31,1% para 30,6%. No sexto escalão, a taxa reduz-se de 34,9% para 34,6%.
Segundo a mesma fonte, as taxas dos três escalões mais elevados permanecem inalteradas: 43,1% no sétimo escalão, 44,6% no oitavo e 48% no nono. Apesar disso, a natureza progressiva do imposto faz com que também estes contribuintes sintam um alívio, ainda que mais limitado, na liquidação anual do IRS.














