A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, garante que Portugal não deverá enfrentar uma situação de escassez de combustíveis, salvo num cenário considerado extremo. Ainda assim, a governante admitiu que o país tem combustível assegurado até agosto e que o jet fuel, usado na aviação, é o produto mais sensível nesta fase.
Em entrevista à SIC Notícias, e citada pelo Notícias ao Minuto, a ministra explicou que o Governo tem acompanhado a situação de perto, numa altura em que os preços dos combustíveis e da eletricidade continuam a preocupar famílias e empresas.
Maria da Graça Carvalho afastou, para já, uma falta generalizada de combustíveis em Portugal, mas reconheceu que a evolução da crise no Médio Oriente obriga a prudência e monitorização constante.
Combustível garantido até agosto
Segundo a governante, Portugal tem mantido contactos regulares com a Galp e com refinarias espanholas para avaliar a disponibilidade de combustíveis.
A ministra afirmou que, neste momento, o país tem combustível até agosto. O ponto mais crítico poderá surgir no final desse mês, caso se verifique uma redução no combustível de aviação.
O jet fuel é visto como o produto mais sensível, por ser essencial para o setor aéreo e por estar mais exposto a eventuais perturbações no abastecimento internacional.
Governo afasta cenário de alarme
Apesar da preocupação com os preços, Maria da Graça Carvalho defende que uma redução generalizada dos preços dos combustíveis não é, nesta fase, a melhor solução.
A ministra considera que baixar impostos de forma ampla pode não ter um efeito claro no preço final pago pelos consumidores e não incentiva a redução do consumo.
Por isso, o Governo diz estar a privilegiar apoios mais direcionados a setores específicos, como pescas, transportes e agricultura.
Apoios setoriais em vez de medidas gerais
A governante explicou que o Executivo está a seguir uma política de prudência perante a incerteza económica e energética.
Entre as medidas em vigor está o desconto no ISP, mas a ministra sublinha que a ajuda setorial é considerada mais eficiente do que uma resposta generalizada para todos os consumidores.
A posição do Governo é que os apoios devem chegar sobretudo aos setores mais expostos ao aumento dos custos energéticos.
Há um plano para situações de crise
Maria da Graça Carvalho revelou ainda que existe um plano preparado para cenários de agravamento da situação.
Esse plano inclui recomendações para locais de trabalho e habitações, com o objetivo de promover poupança e maior eficiência no consumo de energia.
Ainda assim, a ministra esclareceu que, para já, não estão previstas medidas obrigatórias.
Bruxelas também acompanha as reservas
A nível europeu, a Comissão Europeia anunciou a criação de um Observatório de Combustíveis para acompanhar produção, importações, exportações e níveis de reservas na União Europeia.
O objetivo é detetar rapidamente eventuais falhas de abastecimento e orientar medidas para garantir uma distribuição equilibrada de combustíveis entre países e setores.
A medida surge num contexto de maior pressão sobre os mercados energéticos, agravada pela instabilidade no Médio Oriente e pelo impacto nos preços internacionais.
Aviação é o setor mais vulnerável
A Comissão Europeia também pretende clarificar flexibilidades no setor da aviação, caso surjam perturbações relacionadas com a disponibilidade de combustível.
Em Portugal, a preocupação centra-se sobretudo no final do verão, altura em que poderá haver menor disponibilidade de jet fuel se a situação internacional se agravar.
Para já, o Governo afasta um cenário de rutura, mas deixa claro que está a acompanhar a evolução do mercado e que há medidas preparadas caso seja necessário agir.
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