O transporte de mercadorias entre continentes depende de percursos que atravessam vários países, fronteiras e redes ferroviárias. A construção de novas ligações, como este túnel ferroviário, pode abrir alternativas para estas viagens, mas cada avanço nas obras representa apenas uma parte do caminho até à circulação dos comboios.
É neste contexto que surge a ferrovia China–Quirguistão–Uzbequistão, conhecida pela sigla CKU. Segundo a Presidência do Uzbequistão, o projeto pretende reforçar as ligações comerciais da Ásia Central e encurtar o transporte de mercadorias destinadas aos mercados europeus.
Túnel ferroviário curto marca uma nova etapa
A agência estatal quirguiz Kabar noticiou, a 7 de setembro, a conclusão da escavação do túnel ferroviário Kosh Dobo Norte n.º 2. Com base em informações da empresa responsável pelo projeto, a publicação indica que a estrutura tem 209,6 metros de comprimento.
Trata-se da abertura da passagem de uma extremidade à outra. Esta etapa permite avançar com os trabalhos seguintes, mas não corresponde à entrada em funcionamento do túnel ou da ferrovia, cuja construção continua em vários pontos do percurso.
Traçado atravessa três países
De acordo com o comunicado oficial sobre o acordo assinado em junho de 2024, o percurso previsto liga Kashgar, no oeste da China, a Andijan, no Uzbequistão. Pelo meio, atravessa o Quirguistão por Torugart, Makmal e Jalal-Abad.
O Ministério dos Transportes do Quirguistão aponta para uma extensão total superior a 530 quilómetros, dos quais cerca de 304 quilómetros em território quirguiz. A nova infraestrutura deverá articular-se com as redes ferroviárias existentes nos países envolvidos.
Como poderá chegar à Europa?
A possibilidade de continuar a viagem para oeste aparece numa avaliação do Banco Asiático de Desenvolvimento, disponibilizada pelo programa CAREC. O relatório, publicado em setembro de 2022, identifica um itinerário através do Turquemenistão, Irão e Turquia, com destino à Europa.
Esta configuração permitiria organizar transportes sem atravessar território russo. Contudo, a CKU liga os três países que lhe dão o nome: a continuação até aos mercados europeus dependerá de outras linhas, das ligações entre redes e da organização dos serviços internacionais.
Projeções apontam para menos sete dias
Na apresentação do acordo de 2024, a Presidência do Uzbequistão divulgou uma estimativa de até 15 milhões de toneladas de mercadorias por ano, acompanhada de uma redução de sete dias no tempo de entrega. São projeções para o futuro funcionamento do corredor.
Em dezembro do mesmo ano, na cerimónia de lançamento da construção, a mesma entidade voltou a apontar para uma poupança de quase uma semana nas entregas aos mercados europeus. Esses valores representam objetivos do projeto, que ainda terão de ser confrontados com os resultados da exploração comercial.
Há dezenas de obras em curso
Segundo a atualização divulgada pela Kabar, existem trabalhos em 27 túneis, um dos quais já atravessado pela escavação, além de 43 pontes e 88 secções de plataforma ferroviária. A construção das infraestruturas de 20 estações também está em andamento.
A mesma informação refere que os principais acessos temporários e as instalações provisórias de abastecimento elétrico já estão operacionais.
Estas estruturas apoiam os estaleiros e as equipas de construção, permitindo dar continuidade às diferentes frentes de trabalho.
Outros túneis terão mais de 12 quilómetros
A dimensão dos trabalhos subterrâneos ajuda a perceber a complexidade da obra. O Ministério dos Transportes do Quirguistão prevê, no projeto, 29 túneis com uma extensão conjunta de 104,83 quilómetros, incluindo oito com mais de cinco quilómetros de comprimento.
Entre as estruturas previstas encontram-se os túneis Naryn n.º 1, Kosh Dobo e Fergana, cada um com mais de 12 quilómetros. São passagens de dimensão muito superior à do Kosh Dobo Norte n.º 2, cuja escavação agora divulgada constitui um avanço numa ferrovia ainda em construção.
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