Com 166.124 residentes estrangeiros em 2025, o distrito de Faro ocupava o quarto lugar nacional, atrás de Lisboa, Setúbal e Porto, segundo o “Relatório de Migrações e Asilo 2025”, da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
Divulgado em 22 de setembro e citado pela Lusa, o documento contabiliza 1.585.854 cidadãos estrangeiros residentes em Portugal. Destes, 493.622 têm nacionalidade brasileira, correspondendo a 31,1% do total.
O relatório reúne informação sobre o trabalho da AIMA, as nacionalidades dos residentes, os tipos de documentação e a distribuição geográfica desta população em 2025.
Quatro distritos concentram cerca de sete em cada dez residentes
Lisboa registava o maior número de residentes estrangeiros, com 605.895 pessoas, seguindo-se Setúbal, com 173.885, Porto, com 167.498, e Faro, com 166.124. Em conjunto, estes quatro distritos concentram cerca de sete em cada dez estrangeiros residentes no país.
A AIMA relaciona esta concentração com a atratividade económica e social destes territórios, condicionada pela capacidade de acolhimento, integração e oferta de oportunidades.
Entre os concelhos, Lisboa liderava com 200.073 residentes estrangeiros, seguida de Sintra, com 98.652, e do Porto, com 60.351.
Amadora registava 55.457, Cascais 53.683, Loures 51.134, Odivelas 50.082 e Almada 39.098.
Comunidade brasileira cresceu quase dez mil pessoas
O número de brasileiros residentes em Portugal aumentou em quase dez mil face a 2024. A população de nacionalidade indiana diminuiu, levando Angola a ocupar o segundo lugar entre as maiores comunidades.
Depois do Brasil, surgem Angola, com 99.050 residentes, Índia, com 91.405, Ucrânia, com 84.889, e Cabo Verde, com 71.005. Seguem-se Bangladesh, com 55.579, Nepal, com 53.304, Guiné-Bissau, com 51.935, Reino Unido, com 47.726, e Itália, com 42.418. Paquistão e São Tomé e Príncipe contabilizam, respetivamente, 42.042 e 41.800 residentes.
O aumento de cerca de duas mil pessoas na comunidade italiana colocou a Itália entre as dez nacionalidades mais representadas, ultrapassando o Paquistão e São Tomé e Príncipe.
Países lusófonos representam quase metade do total
Os cidadãos do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste representam, em conjunto, quase metade da população estrangeira residente em Portugal. No contexto europeu, o relatório destaca as comunidades da Itália, do Reino Unido e da Ucrânia. Segundo a AIMA, a sua presença reflete “tanto a mobilidade intraeuropeia como a procura de Portugal enquanto destino seguro, estável e atrativo para viver, trabalhar e investir”.
Na comparação com 2024, a América do Norte e Central, com os Estados Unidos em destaque, apresentou o maior crescimento relativo, de 10%. Em sentido contrário, o número de residentes provenientes da Ásia diminuiu 4,1%.
Mais de oito em cada dez estão em idade ativa
A maioria dos residentes estrangeiros são homens, que representam 55,6% do total. Quanto à idade, o relatório indica que 84,6% têm entre 18 e 64 anos, enquanto os cidadãos com 65 ou mais anos correspondem a 6,3%. Entre os menores de 18 anos predominam as raparigas. A AIMA salienta o contributo desta população jovem “para a vitalidade das escolas e para a construção de trajetórias de integração de longo prazo”.
Na leitura da agência, os dados mostram uma população “jovem, ativa e socialmente dinâmica”, com um “papel central na vitalidade económica, na inovação e na coesão social”.
Pedidos de proteção internacional diminuíram
Os pedidos de proteção internacional baixaram de 2.677, em 2024, para 1.765, em 2025.
A Colômbia foi o país de origem com mais pedidos, 246, seguida da China, com 169, Angola, com 159, Venezuela, com 104, e Gâmbia, com 100.
O relatório assinala também uma redução de 69,6% no número de menores não acompanhados requerentes de asilo. Foram registados 62 casos em 2025, face a 204 no ano anterior, maioritariamente de menores oriundos da Gâmbia, de Marrocos e da Guiné-Conacri.
Proteção temporária abrange perto de 65 mil ucranianos
Portugal participou igualmente no Programa de Reinstalação da União Europeia, através do qual foram reinstaladas 258 pessoas, incluindo 97 provenientes da Síria e 50 do Afeganistão.
O programa permite transferir refugiados de países terceiros para Estados-membros que se comprometem a conceder-lhes proteção, explica a AIMA.
Dos quase 85 mil ucranianos residentes em Portugal, perto de 65 mil beneficiam de proteção temporária. O relatório descreve este mecanismo como uma resposta “rápida, eficaz e humanitária” a pessoas deslocadas que não podem regressar em segurança ao país de origem.
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