Abrir a porta do carro depois de o deixar várias horas ao sol no verão pode transformar-se num teste de resistência. Num dia típico de agosto, a temperatura no habitáculo pode ficar 15 a 20 graus acima do exterior, chegando facilmente aos 50 °C. Mas há um gesto rápido, quase desconhecido, que ajuda a expulsar boa parte desse ar tórrido antes de se sentar ao volante.
Porque é que o carro aquece tanto?
De acordo com a revista AutoFácil, o pára-brisas e os vidros laterais funcionam como uma estufa: deixam entrar a radiação solar mas dificultam que o calor volte a sair. O painel de instrumentos, o volante e os estofos absorvem essa energia e libertam-na lentamente para o ar interior, elevando a temperatura a níveis desconfortáveis e, por vezes, perigosos.
O truque dos trinta segundos
Segundo o portal Razão Automóvel, a forma mais rápida de baixar a temperatura é aproveitar a circulação cruzada de ar. O método é simples:
- Abra totalmente uma janela do lado do passageiro.
- No lado oposto, abra e feche a porta do condutor cinco ou seis vezes, em movimento suave, como se ventilasse o interior.
O efeito é imediato: o “ar em forno” sai pela janela aberta e é substituído por ar exterior mais fresco. Ensaios feitos pela publicação espanhola Motor1 mostram reduções de 7 a 10 °C em menos de meio minuto.
Complementar com medidas de prevenção
A circulação cruzada resolve o problema no momento, mas prevenir é sempre melhor. Passar à sombra continua a ser a primeira linha de defesa, mesmo que apenas atenue o calor. Escreve o Eco Sapo que estacionar sob árvores ou num parque coberto reduz em média 10 °C a temperatura do habitáculo.
Outra arma eficaz é o protetor dobrável no para-brisas. Segundo a AutoFácil, um modelo aluminizado pode cortar até 15 % da radiação solar direta. Para quem não gosta da estética, uma toalha sobre os bancos e um pano húmido no volante evitam queimaduras sem alterar a aparência exterior.
Películas homologadas e ar condicionado
As películas escurecedoras bloqueiam parte dos raios UV e prolongam a vida dos estofos, mas exigem homologação. Segundo o Razão Automóvel, hoje existem oficinas que tratam da burocracia em poucos dias.
Quando nenhuma destas soluções chega, resta o ar condicionado. Ainda assim, ligar o compressor logo após ligar o motor consome mais combustível. O IMT recomenda arejar primeiro, recorrendo à ventilação forçada (o tal truque dos trinta segundos) antes de ligar o sistema de climatização.
Conservar conforto e materiais
Manter o interior do carro mais fresco não é apenas uma questão de conforto imediato; protege plásticos, painéis e sistemas electrónicos sensíveis ao calor extremo. Um conjunto de pequenos gestos (a circulação cruzada, o uso de protetores e a procura de sombra) faz a diferença entre entrar num forno ou num espaço tolerável.
No próximo dia de calor no verão, experimente o truque: basta meia dúzia de movimentos de porta do carro para expelir o ar abrasador e tornar o arranque da viagem muito mais suportável. Afinal, há formas de desfrutar do verão sem sacrificar o volante (e as mãos) ao calor.
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