Ao entrar no carro, há um gesto simples que pode ajudar a identificar um problema: olhar rapidamente para o pavimento por baixo do veículo. Uma mancha ou pequena poça pode ser apenas água, mas também pode denunciar uma fuga de óleo, líquido de refrigeração, combustível ou outro fluido. A RAC, empresa britânica de assistência rodoviária, recomenda observar a origem e as características do líquido para perceber o que poderá estar a acontecer.
Importa, primeiro, confirmar que a mancha vem daquele automóvel. Num estacionamento partilhado ou na rua, pode ter sido deixada por outro veículo, alerta a mesma entidade.
Nem toda a água debaixo do carro é sinal de avaria
Encontrar líquido no chão não significa automaticamente que existe um problema. Se for transparente, sem cheiro e semelhante a água, sobretudo depois de utilizar o ar condicionado, pode tratar-se simplesmente da condensação produzida pelo sistema.
A AA, associação automobilística britânica, também dedicada à assistência rodoviária, explica que esta é uma das causas mais frequentes de água debaixo de um automóvel e, normalmente, não representa uma avaria. Quando o ar condicionado retira humidade do ar, a água resultante é escoada para o exterior.
Contudo, se a origem não for clara, a quantidade aumentar ou surgirem outros sinais de anomalia, deve procurar uma avaliação profissional.
A cor pode dar uma pista
A situação merece mais atenção quando o líquido tem cor, cheiro ou um aspeto oleoso. Segundo a AA, o óleo do motor apresenta habitualmente tons castanhos ou negros, enquanto o líquido de refrigeração pode ter diferentes cores, como verde, amarelo ou rosa.
A cor, contudo, não permite fazer um diagnóstico definitivo. A RAC esclarece que existem líquidos de refrigeração de várias cores, incluindo transparentes. Por isso, a ausência de cor não basta para garantir que se trata de simples água.
Uma técnica sugerida pela RAC consiste em colocar cartão branco por baixo do automóvel estacionado para recolher algumas gotas e observar melhor a sua aparência. Faça-o com o motor desligado, sem se colocar debaixo do veículo, e retire o cartão antes de voltar a circular.
Há situações em que não deve continuar a conduzir
Uma fuga de óleo, mesmo pequena, deve ser avaliada. Se a luz de pressão do óleo se acender com o motor em funcionamento, deve parar em segurança e desligá-lo. A RAC alerta que continuar a conduzir nestas condições pode provocar danos graves no motor.
Um cheiro intenso a gasolina ou gasóleo também merece particular cuidado. A RAC recomenda não conduzir quando existe suspeita de fuga de combustível, devido ao risco de incêndio.
A AA aconselha igualmente a não conduzir perante uma suspeita de fuga de líquido dos travões, mesmo que ainda não exista uma luz de aviso. A perda deste fluido pode comprometer a travagem, pelo que deve contactar a assistência em viagem.
Não espere necessariamente por uma luz no painel
Uma fuga pode tornar-se visível antes de provocar as condições que fazem acender um aviso. No caso do óleo, por exemplo, a AA distingue os alertas de nível dos de pressão: estes sinalizam problemas diferentes e não constituem um diagnóstico da origem de uma eventual perda. Não se deve, portanto, concluir que está tudo bem apenas porque não apareceu uma luz no painel.
Olhar para o chão é uma verificação inicial, não substitui a manutenção nem permite excluir todas as avarias. Se encontrar uma mancha suspeita e não conseguir identificar a origem, a recomendação da AA é pedir uma avaliação a um mecânico.
Leia também: Um carro para a vida? Estudo analisou mais de 33.000 automóveis e estes são os que dão menos problemas
















