Existem muitos erros bastante comuns que são cometidos diariamente pelos condutores ao abastecer o carro nas bombas de gasolina, e gestos aparentemente banais podem esconder riscos reais. Entre vapores inflamáveis, regras legais e cuidados simples, há comportamentos que continuam a repetir-se e que podem acabar em coimas, danos no carro ou situações perigosas para todos à volta.
Abastecer é, para muita gente, uma tarefa de dois minutos feita quase em ‘piloto automático’. O problema é que as bombas de gasolina não são um “lugar normal”: há combustível, há vapores e há circulação de pessoas e viaturas num espaço limitado, o que torna a prevenção fundamental, de acordo com a associação profissional do setor dos combustíveis Petroleum Equipment Institute (PEI).
Por que é que abastecer exige cuidados especiais?
Os combustíveis libertam vapores inflamáveis e, num ambiente destes, basta uma distração para aumentar o risco de derrame, de ignição ou de conflitos no próprio posto. É precisamente por isso que muitos postos têm avisos visíveis e procedimentos de segurança que não são meras sugestões.
Além das regras internas de cada estação, existem normas legais e orientações de segurança divulgadas por entidades especializadas que ajudam a perceber o “porquê” de cada recomendação.
Telemóvel e o risco de distração
Usar o telemóvel enquanto se abastece é um hábito comum, mas o maior perigo costuma ser mesmo a falta de atenção. Uma chamada, uma mensagem ou um ‘scroll’ rápido podem levar a erros simples: puxar a mangueira de forma brusca, não encaixar bem o bico, deixar pingar combustível ou esquecer-se de voltar a colocar a pistola no sítio.
Sobre a ideia de que o telemóvel “explode” bombas, organizações técnicas ligadas à segurança no abastecimento referem não ter registo de incêndios provocados diretamente por telemóveis, o que reforça que o problema prático tende a ser o comportamento distraído num local sensível, refere a mesma fonte.
Fumar na bomba é proibido e dá coima
Aqui não há dúvidas. Em Portugal, a lei n.º 109/2015, que regula a exposição ao fumo do tabaco, inclui os postos de abastecimento e deixa claro um ponto essencial: mesmo quando é admitido fumar em áreas ao ar livre, isso não abrange a zona onde se realiza o abastecimento de veículos.
Quanto às consequências, o regime contraordenacional prevê coimas para o fumador que viole a proibição, com valores que podem ir de 50 a 750 euros, de acordo com a redação.
Motor ligado: um risco evitável com um gesto simples
Desligar o motor antes de pegar na mangueira é uma regra básica de segurança e aparece repetidamente em orientações técnicas sobre abastecimento. A lógica é reduzir qualquer potencial fonte de ignição e evitar movimentos inesperados do veículo durante o procedimento.
Entidades de referência na área da segurança em postos de combustível e também guias institucionais de prevenção de risco, como a mesma fonte, colocam “motor desligado” no topo das regras essenciais para abastecer em segurança.
Eletricidade estática
Este é um daqueles riscos que parecem “coisa de filmes”, mas têm explicação simples. Ao entrar e sair do carro, sobretudo em tempo seco e com certos tecidos, o corpo pode acumular carga elétrica. Se voltar a tocar no bico de abastecimento sem descarregar essa carga, pode ocorrer uma pequena faísca.
Por isso, várias orientações de segurança recomendam não reentrar no veículo durante o abastecimento e, se isso acontecer, tocar primeiro numa parte metálica do carro, afastada da zona de enchimento, antes de voltar a mexer na pistola.
Derrames e “encher depois do clique”
Derramar combustível no chão não é apenas “um bocadinho de nada”, de acordo com a mesma fonte. Além do risco imediato, é um problema ambiental e um transtorno para o próprio posto, que pode obrigar a procedimentos de limpeza e segurança no local.
Outra prática comum é insistir em continuar a abastecer depois do “clique” automático. Esse mecanismo existe para evitar transbordos e reduzir libertação de vapores. Forçar mais combustível aumenta a probabilidade de derrame e pode ainda trazer consequências para componentes do próprio sistema de ventilação do depósito, dependendo do veículo.
As regras estão à vista, mas a responsabilidade é do condutor
A maioria das bombas de gasolina tem sinalização clara, mas o comportamento do condutor continua a ser o fator decisivo, de acordo com o PEI. A receita para abastecer sem problemas é simples e repetida por várias orientações técnicas: motor desligado, não fumar, evitar o telemóvel, não entrar no carro durante o abastecimento e manter atenção total ao que está a fazer.
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