O Algarve é reconhecido pelas suas praias, pelo clima agradável e pela hospitalidade das suas gentes, tornando-se um destino privilegiado tanto para visitantes nacionais como internacionais. Miguel Sousa Tavares, jornalista, editor, escritor e comentador político, na sua habitual crónica de opinião no Expresso, realça a riqueza singular do Algarve longe dos meses de verão, sublinhando que “no resto do ano existe outro Algarve, que é uma extraordinária hipótese de felicidade”.
Cores e serenidade fora da temporada
A descrição feita pelo escritor revela um Algarve tranquilo, de manhãs suaves e quentes, pontuadas por cores intensas das flores como buganvílias e jacarandás, e uma paisagem marítima de um azul profundo.
Este Algarve, segundo Sousa Tavares, é especialmente convidativo pela serenidade que oferece, proporcionando a quem o visita uma experiência distinta, sem a agitação típica dos meses mais movimentados.
Na visão do cronista, a essência do Algarve fora da época alta é feita de pequenos detalhes e experiências genuínas que passam despercebidas durante o verão, quando o ritmo frenético domina o quotidiano.
Redescobrir a gastronomia algarvia
Um dos aspetos que Miguel Sousa Tavares mais valoriza é a gastronomia local, especialmente durante os meses mais calmos. As visitas ao mercado permitem-lhe descobrir os sabores genuínos e frescos, em pratos como a tradicional caldeirada algarvia.
O prazer das coisas simples
Na sua crónica, Sousa Tavares detalha momentos simples mas memoráveis, desde o despertar num ambiente natural até à visita matinal ao mercado de Tavira, onde comprou sardinhas, salmonetes, solha e ingredientes frescos para uma caldeirada.
Sousa Tavares expressa esta vivência com profunda gratidão, escrevendo: “Também eu agradeci a um deus invisível o esplendor das coisas visíveis”.
Mercado de Tavira: autenticidade e frescura
“Às oito da manhã, quase em ponto, estava a entrar no mercado de Tavira — essa ainda milagrosamente preservada cidade do Algarve”, descreve Sousa Tavares, destacando a autenticidade do local e da experiência.
O autor valoriza claramente a genuinidade que, segundo ele, falta aos espaços urbanos mais industrializados: “Pobres urbano-depressivos dos supermercados: vocês não sabem de que são feitas as manhãs!”.
Santa Luzia: a capital do polvo
Para além do mercado, o cronista menciona o encanto particular da aldeia de Santa Luzia, referindo-a carinhosamente como “a capital do polvo” e afirmando que seria ali que viveria “para sempre, se tudo fosse para recomeçar por aqui”.
Ilha Deserta: uma joia algarvia
Miguel Sousa Tavares inclui na sua crónica a experiência na Ilha Deserta, que define como uma verdadeira joia algarvia.
Sobre este espaço, destaca o silêncio, a tranquilidade e o respeito pela natureza: “Na Deserta há apenas uma cabana rudimentar onde o único habitante permanente da ilha cozinha, pagando, uma caldeirada, se lhe levarem o peixe e enquanto se toma banho no mar”.
Ainda assim, lamenta a presença perturbadora das motas de água, classificadas pelo escritor como uma “praga” que compromete a tranquilidade tão característica e desejada do local.
Fora da época alta: o verdadeiro luxo algarvio
Por fim, numa clara referência à importância da época baixa, Sousa Tavares recorda que: “Em breve chegará julho e depois agosto. As multidões apressadas, as filas nos supermercados, os restaurantes sem lugar, a Festa do Pontal do PSD, a Festa da Sardinha de Portimão e do Marisco de Olhão, a Fatacil, os motociclistas de Faro e o peixe esgotado na banca do mercado às 11 da manhã. O Algarve que todos conhecem das férias”.
O cronista finaliza: “Mas no resto do ano existe outro Algarve, que é uma extraordinária hipótese de felicidade”.
Na visão de Sousa Tavares, a essência do Algarve fora da época alta é feita de pequenos detalhes e experiências genuínas que passam despercebidas durante o verão, quando o ritmo frenético domina o quotidiano.
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