A primeira exposição individual póstuma de Rui Carvalho decorre de 9 a 12 de dezembro, na Junta de Freguesia de São Sebastião, em Loulé, reunindo um conjunto de obras nunca antes expostas do artista, marceneiro e criador multifacetado. O evento pretende homenagear uma vida dedicada à arte e ao trabalho manual, como também evidencia o flyer oficial da exposição, que descreve Rui como “marceneiro, artista e alma destemida”.
Susana Sousa, viúva do artista, lança o repto à comunidade: “o Rui era um artista que criava as suas obras do zero, tudo fruto da sua criatividade. Um artista que devia ser reconhecido e que se perdeu, mas deixou as suas obras para serem admiradas e para destacar a importância que teve para o concelho. Deve ser eternizado pelo seu trabalho e pela pessoa que foi”, convidando todos a visitarem a mostra.
Da infância difícil ao universo artístico: uma vida moldada pela criatividade
Nascido em 1974 em Sá da Bandeira, Angola, Rui Carvalho enfrentou desde cedo uma condição física desafiante, após contrair paralisia infantil durante a fuga da família da guerra de independência. Essa limitação, contudo, nunca o afastou da imaginação fértil e da dedicação à criação artística.

Rui destacou-se pela diversidade de técnicas e materiais que explorava. Tal como recordou numa entrevista, trabalhava “todos os materiais que sejam passíveis de ser trabalhados”, desde vidro, madeira, cortiça ou acrílico, criando vitrais tiffany, restauros, mobiliário artístico, pintura, retratos a carvão, esculturas e até troféus. Orgulhava-se de que “nada é feito industrialmente ou em série. Cada peça tem o seu tempo” e assumia a arte como um ato de prazer: “Gosto de deitar-me, pensar no que vou fazer no dia seguinte e sentir prazer! Não procuro fama, protagonismo, nem reconhecimento ou dinheiro. Gosto de pensar no que vou fazer amanhã, e simplesmente sonhar”.
O flyer da exposição reforça essa visão ao destacar que Rui enfrentou a vida “com coragem, humor e otimismo”, sendo lembrado com “amor, saudade e admiração” por todos os que o acompanharam
Um artista que sonhava com um Algarve mais próximo da arte
Em entrevista, Rui sublinhava o contributo que desejava deixar à região: “gostava que um dia tivéssemos um espaço onde os artistas pudessem trabalhar ao vivo, e que estivesse simultaneamente aberto ao público. Imagina teres um espaço em Quarteira, durante os 3 meses de verão, onde o turismo estivesse em contacto direto com os artistas da terra ou residentes!”.

Segundo a nota de divulgação, Rui era reconhecido não só pela criatividade, mas também por transformar ideias simples em emoções palpáveis, produzindo obras que a comunidade de Loulé e Quarteira continua a valorizar.
Uma exposição que celebra o legado e a memória
A mostra integra peças que refletem a sensibilidade e a mestria técnica do artista, evocando a sua capacidade de transformar o ordinário em extraordinário. De acordo com o flyer, a exposição pretende também continuar a espalhar o amor que Rui deixou no mundo, ecoando a frase associada ao artista: “Mais amor, por favor.”
A exposição pode ser visitada até 12 de dezembro, de segunda a sexta-feira, entre 09:00 e 17:00, com entrada livre.



















