Viajar de avião continua a exigir atenção redobrada à bagagem, sobretudo quando estão em causa baterias de lítio e carregadores portáteis. As regras gerais mantêm estes equipamentos fora da bagagem de porão, mas há uma novidade importante: várias companhias passaram a ser mais rígidas também dentro da cabine, limitando a utilização, o carregamento e até o local onde os passageiros podem guardar estes dispositivos.
O objeto em causa é o power bank. A regra-base continua a ser clara: estes carregadores portáteis não devem seguir na bagagem de porão e têm de ser transportados na cabine, por serem tratados como baterias sobressalentes. A Agência da União Europeia para a Segurança Aérea (EASA), indica que os power banks devem ir sempre na bagagem de mão e nunca na bagagem despachada.
A orientação é semelhante nas regras internacionais e norte-americanas. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) recomenda que baterias de lítio e power banks sejam retirados da mala se esta tiver de ir para o porão à porta de embarque, enquanto a FAA confirma que os power banks e carregadores portáteis devem ser transportados apenas na bagagem de mão.
Nem tudo o que vai no porão é mais seguro
É aqui que muitos passageiros continuam a enganar-se. Ao contrário dos líquidos, que têm limitações mais apertadas na cabine mas podem seguir no porão, os power banks não ficam mais seguros quando são despachados. A IATA refere mesmo que 45% dos passageiros inquiridos acreditam erradamente que estes carregadores podem ir no porão, o que mostra a dimensão da confusão.
Na Europa, a EASA explica que alguns dispositivos eletrónicos podem, em certas condições, ser transportados no porão, desde que estejam completamente desligados e protegidos contra ativação acidental. No entanto, essa exceção não se aplica às baterias soltas nem aos power banks, que devem seguir sempre na cabine e estar protegidos contra curto-circuitos.
A regra também se aplica às malas de cabine que acabam por ser retiradas à porta de embarque para seguirem no porão. Nestes casos, a IATA recomenda que o passageiro retire primeiro todos os dispositivos e baterias de lítio, incluindo power banks, e os mantenha consigo na cabine.
Limites de potência e quantidade
As orientações atuais continuam a estabelecer limites de potência. De forma geral, power banks até 100 Wh podem viajar na cabine. Entre 101 e 160 Wh, o transporte exige aprovação da companhia aérea, e baterias acima de 160 Wh não são permitidas em aviões de passageiros, segundo a FAA.
A quantidade permitida pode variar consoante a companhia. A FAA indica que, abaixo dos 100 Wh, não existe um limite geral para baterias recarregáveis de uso pessoal, mas alerta que muitas transportadoras aplicam regras mais restritivas. É o que acontece, por exemplo, com a TAP, que limita o transporte a dois power banks por passageiro, cada um com o máximo de 100 Wh.
Risco está na própria bateria
A razão para estas restrições está na elevada densidade energética das baterias de lítio. Se forem danificadas, expostas a calor, mal protegidas ou entrarem em curto-circuito, podem sobreaquecer, libertar fumo, incendiar-se ou desencadear uma reação conhecida como fuga térmica. A EASA identifica estes equipamentos como um risco especial quando não são transportados corretamente.
Este cenário é particularmente sensível na aviação. A IATA explica que, se uma bateria de lítio sobreaquecer ou incendiar-se no porão, a tripulação não consegue atuar de imediato para identificar e controlar o problema. Na cabine, pelo contrário, os passageiros e a tripulação podem detetar rapidamente sinais de fumo, calor ou deformação do equipamento.
Companhias estão a apertar as regras
Além das normas gerais de segurança aérea, várias companhias decidiram reforçar as regras dentro da própria cabine. A Emirates, por exemplo, anunciou que desde 1 de outubro de 2025 permite apenas um power bank por passageiro, com menos de 100 Wh, proibindo a sua utilização a bordo e também o seu carregamento através da energia do avião.
A Cathay Pacific atualizou as regras em 30 de março deste ano e passou a limitar cada passageiro a dois power banks, sempre na bagagem de mão, proibindo a sua utilização e o seu carregamento durante todo o voo. A Singapore Airlines aplica regra semelhante, proibindo o uso e o carregamento destes dispositivos e recomendando que fiquem acessíveis, debaixo do assento ou na bolsa do banco da frente.
Estas decisões mostram que, embora a regra-base continue a ser parecida, a aplicação prática está a tornar-se mais rigorosa. A própria TAP já indica que os power banks não podem ser utilizados nem carregados em nenhuma fase do voo e devem ficar acomodados debaixo do assento da frente ou nas bolsas correspondentes.
O que convém fazer antes de embarcar
Antes de viajar, o mais prudente é confirmar a potência do power bank, normalmente indicada em Wh, e consultar as regras específicas da companhia aérea.
A FAA explica que, quando a bateria não apresenta essa indicação, é possível calcular os Wh multiplicando a voltagem pelos amperes-hora; já a IATA recomenda proteger baterias soltas e power banks na embalagem original, numa bolsa própria ou com os terminais isolados.
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