Pedro Pereira e Tânia Pereira, de 47 e 48 anos, respetivamente, naturais e residentes em Loulé, vão representar Portugal no Campeonato do Mundo de Hyrox, que se realiza em Estocolmo, na Suécia, no próximo dia 21 de junho.
O casal compete na categoria de dupla mista no escalão 45-49 e chega ao maior palco da modalidade após um percurso marcado por evolução rápida, pódios internacionais e uma forte transformação pessoal e desportiva.

O Hyrox é uma prova de endurance que combina corrida com exercícios funcionais “(..) dura sensivelmente uma hora a uma hora e dez”, explica Pedro Pereira ao POSTAL, descrevendo o formato: “São oito quilómetros de corrida alternados com estações funcionais… corre-se um quilómetro e depois fazemos uma estação e assim sucessivamente”, acrescenta Tânia Pereira.
Entre os exercícios, a atleta detalha: “Temos o ski, o sled push, o sled pull, burpees, remo, farmer carry, walking lunges e por último, os wall balls”, numa sequência exigente que testa resistência e capacidade física ao limite.
Início em 2025 e entrada inesperada na modalidade
O projeto competitivo começou em março de 2025 no ginásio Body Art Gym, onde treinam e integram atualmente uma comunidade crescente de praticantes.

Tânia recorda o momento que mudou o percurso do casal: “Eu fui com uma outra parceira fazer uma prova a Málaga e ele foi comigo para me apoiar. Ele ficou com aquele bichinho da competição e começou a treinar”.
“A Tânia disse que queria fazer uma prova comigo e na semana a seguir comecei a treinar”, referiu Pedro ao POSTAL.
Roma: o primeiro grande teste e o limite físico
A estreia internacional aconteceu em Roma e revelou de imediato a dureza extrema da modalidade, num momento em que o casal ainda estava a consolidar a sua experiência competitiva.

Pedro sublinha que a prova foi um verdadeiro teste físico e mental, marcado por um nível de exigência muito elevado e por um ritmo intenso do início ao fim. “Fizemos uma hora e três… e ficámos em terceiro lugar”, recorda ao POSTAL, destacando o primeiro grande pódio internacional da dupla.
A participação em Roma acabou por ser determinante no percurso da dupla, não só pelo resultado alcançado, mas também pela aprendizagem adquirida numa prova onde o desgaste foi evidente e onde perceberam, na prática, o nível competitivo do circuito internacional.
Valência: o apuramento para o Mundial
Três semanas depois, o casal voltou a competir em Valência, sem expectativas elevadas. “Fomos sem expectativas nenhumas”, refere Tânia ao POSTAL.
O resultado acabou por ser decisivo: “Ninguém bateu o nosso tempo… ficámos em primeiro lugar”, confirma Pedro, com o tempo de 1h03m33s, garantindo de imediato o apuramento direto para o Campeonato do Mundo.

“Esse primeiro lugar em Valência deu-nos o passaporte para o Mundial”, sublinham ao POSTAL.
Já em Lisboa, recentemente a dupla voltou a demonstrar evolução e bateu o seu recorde pessoal com o tempo de 1h00m26s. “Conseguimos retirar cerca de três minutos”, referem, consolidando a progressão antes da competição mundial.
Uma dupla mista com estratégia e complementaridade
Na categoria de dupla mista, a corrida é sempre feita em conjunto, enquanto os exercícios podem ser divididos. “Os oito quilómetros temos de fazer sempre juntos”, explica Tânia. Já nos exercícios: “Podemos dividir como quisermos… 80/20 ou até 100% um e depois o outro”.
A estratégia baseia-se na complementaridade. “Há exercícios em que ela é melhor e outros em que eu sou melhor”, resume Pedro. Tânia reforça: “Complementamo-nos bem… ajustamos na hora conforme o cansaço”.
Vida profissional, treino intenso e comunidade em crescimento
O casal concilia uma preparação exigente com as respetivas rotinas profissionais. Tânia divide-se entre a profissão de psicóloga e o trabalho na restauração: “Acaba por ser dois empregos… treino às 7 da manhã para conseguir conciliar tudo”. Pedro, professor de educação física, treina ao final do dia, ajustando a preparação ao seu horário. O único momento em que conseguem trabalhar em conjunto é ao domingo, às 9:00, num dos momentos-chave da semana.
Agradecimentos e apoio fundamental
Pedro e Tânia deixam um agradecimento especial à equipa de fisioterapia: “A fisioterapia foi fundamental para conseguirmos recuperar destas lesões e estar ao mais alto nível”, referem, destacando a clínica Fisiodesporto que garantiu sempre cuidados imprescindíveis aos atletas.

Também sublinham o apoio do ginásio e da estrutura de treino: “O David e toda a equipa têm sido essenciais para nos dar condições para treinar e evoluir”, referem, destacando ainda o papel do ambiente criado no ginásio Body Art Gym.
A isto juntam o apoio da família e da comunidade local, incluindo os sogros, que têm ajudado na conciliação da vida profissional com a exigente preparação.
O casal deixa também um agradecimento à “Loja das Taças” de Loulé.
Objetivo: baixar da hora no Mundial
Sobre o Mundial, o objetivo está definido. “Queremos baixar da uma hora, ainda não conseguimos nenhuma prova abaixo da hora”, assume Tânia ao POSTAL.
Os atletas destacam sobretudo a “questão da resiliência, o não desistir”, sublinhando que o Hyrox vai muito além da competição e tem um impacto positivo na vida das pessoas.
Pedro e Tânia salientam ainda que se trata de uma modalidade acessível e motivadora, onde muitos entram pela primeira vez, gostam e acabam por regressar, reforçando o espírito de continuidade e comunidade criado em torno do Hyrox no Algarve.

Representar Portugal, o Algarve e a cidade tem um significado especial para ambos. “É um grande orgulho representar Portugal, o Algarve e a nossa cidade”, referem ao POSTAL.
Agora, com o apuramento garantido, o casal algarvio parte para Estocolmo com ambição competitiva, mas também com uma história construída entre superação, disciplina e forte ligação à comunidade local que cresceu à volta deles no Algarve.
EJ/CM
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