A poucos quilómetros de Faro, escondem-se as ruínas de uma das mais importantes vilas romanas do sul de Portugal. Em Milreu, vestígios de mosaicos, templos e casas senhoriais revelam o quotidiano de famílias ricas e influentes do Império, ligadas à gestão da antiga cidade de Ossónoba, hoje Faro. O local, monumento nacional desde 1910, continua a surpreender arqueólogos e investigadores com os seus achados.
O centro romano de Milreu
De acordo com a RTP, foi no final do século XIX que Estácio da Veiga, arqueólogo e escritor algarvio, descobriu as ruínas que se tornaram um dos mais relevantes testemunhos da presença romana no Algarve. Escavações revelaram mosaicos com motivos marinhos, estuques pintados, esculturas e mármores, indícios claros do estatuto elevado das famílias que ali viveram.
A vila rústica foi habitada de forma contínua entre o século I e o século XI d.C., combinando atividades agrícolas com a exploração da pesca e da transformação do peixe, fundamentais para a economia local.
A enigmática casa branca
Entre os elementos mais marcantes de Milreu encontra-se a chamada casa branca, uma construção de planta retangular, alterada ao longo dos séculos. Segundo a Direção-Geral do Património Cultural, o edifício atual remonta ao século XV, erguido sobre estruturas romanas. Mais tarde serviu como habitação rural até meados do século XX, mantendo ainda hoje uma presença imponente com as suas torres cilíndricas de defesa.
Durante anos, a casa ocultou um subsolo romano, apenas revelado pelas escavações arqueológicas.
O lar de um homem poderoso
Milreu atingiu o seu auge entre os séculos III e IV, altura em que foi erguido um santuário imponente, posteriormente adaptado a cultos cristãos e islâmicos. João Pedro Bernardes, professor da Universidade do Algarve, explicou à RTP que ali terá vivido um homem de grande influência, proprietário de extensas terras e com rendimentos provenientes de lagares de vinho, azeite e da indústria piscatória.
A residência, luxuosa e artisticamente cuidada, revela o conforto de uma elite que ia muito além da vida rural comum.
O declínio e o legado
O abandono de Milreu iniciou-se no século X, após o colapso das abóbadas do templo. Durante a ocupação islâmica, o espaço chegou a ser utilizado como cemitério. Ainda assim, os vestígios preservados permitem hoje reconstruir a importância de um centro que marcou a história do Algarve romano.
Milreu não é apenas um sítio arqueológico: é um testemunho vivo de como a região foi habitada por famílias de grande prestígio, que moldaram a antiga Ossónoba e deixaram marcas profundas na paisagem algarvia.
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