Vera Figueiredo é a criadora da marca “Do Cabo à Colher”, um projeto artesanal que surgiu em Sagres, em junho de 2025, e que já se encontra registado como marca.
A iniciativa centra-se na reutilização de objetos antigos, com especial enfoque em colheres com várias décadas de existência, que são transformadas em peças de joalharia.
Colheres antigas dão origem a peças únicas
Segundo avança a artesã ao POSTAL, “o meu trabalho consiste em transformar colheres antigas, muitas com mais de 50, 80 ou até 100 anos e vindas de diferentes partes do mundo, em anéis feitos à mão”.

Grande parte das peças utilizadas são em prata ou banhadas a prata. “Cerca de 90% das peças são provenientes de colheres banhadas a prata, objetos que já foram feitos para durar e atravessar gerações, e que hoje ganham uma nova forma”, refere.
Cada peça mantém elementos do objeto original, resultando em criações distintas. “Muitos dos anéis são peças únicas, irrepetíveis, marcadas pelo desenho original de cada colher e pelo tempo que carregam. Cada um conta uma história própria”.
Percurso ligado ao artesanato e ao crochet
O percurso de Vera Figueiredo no artesanato teve início com a criação de bonecos têxteis, evoluindo posteriormente para o crochet.

“O meu percurso no artesanato começou há vários anos, com a criação de bonecos têxteis feitos à mão. Mais tarde evoluiu para o crochet, tendo desenvolvido um projeto de crochet urbano em Sagres, que acabou por ser destacado pelo vosso jornal”, explica.
Ligação familiar e inspiração no passado
A criação da marca está também associada a uma ligação pessoal. “A Do Cabo à Colher nasce também de uma ligação muito especial à minha avó, que me ensinou a valorizar o que é simples, o que tem história e o que é feito com as mãos”.

A artesã destaca a continuidade desse processo criativo: “Hoje, continuo esse caminho, dando nova vida a objetos do passado. Tal como os navegadores que partiram de Sagres, também estas peças carregam viagens, tempo e memória – e muitas delas voltam a viajar, levadas por quem as escolhe e leva consigo um pedaço desta terra”.
Reutilização e preocupação sustentável
O projeto inclui também o reaproveitamento de materiais que sobram. “Na Do Cabo à Colher, nada se perde – tudo se transforma”, afirma.
“Das sobras dos anéis nascem colares, criando novas peças com a mesma alma e continuidade da história”, acrescenta, sublinhando a lógica de reutilização.

Este processo reflete uma preocupação ambiental, através da valorização de objetos antigos e da redução de desperdício.
Comercialização em feiras e redes sociais
“Atualmente, vendo as minhas peças em feiras locais e através da minha página de Instagram, onde partilho não só os anéis, mas também vídeos de todo o processo de transformação, desde a colher original até à peça final”, conta ao POSTAL Vera Figueiredo.

A marca apresenta ainda a assinatura: “Vindos do passado, moldados no presente, para acompanhar o teu futuro”.
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