Patty e Dean Hahn-Carlson escolheram Tavira, no Algarve, para viver depois da reforma, uma decisão que surgiu após uma viagem a Portugal e de vários contactos com estrangeiros já instalados no país. O casal norte-americano procurava um lugar onde pudesse integrar-se na comunidade local e acabou por encontrar na cidade algarvia uma combinação que considerou adequada ao que procurava.
A mudança foi preparada depois de, em 2024, terem participado numa conferência Fast Track Europe, em Albufeira. Segundo a revista International Living, os dois tinham anteriormente analisado outras zonas de Portugal, sobretudo no norte e centro do país, mas acabaram por afastar essas hipóteses devido ao clima durante o inverno. Foi uma visita a Tavira que alterou a decisão.
Visita que mudou os planos
Durante a estadia no Algarve, Patty e Dean conheceram Terry Coles, colaboradora da revista, e o marido, que os convidaram para um encontro de estrangeiros em Tavira. Foi nessa ocasião que começaram a olhar para a cidade como uma possível residência permanente.
“Enquanto passeávamos pela bonita cidade de Tavira, percebemos que tínhamos encontrado a nossa próxima casa”, contou Patty, em tradução livre. Dean explicou que a intenção não era criar uma vida isolada da realidade portuguesa, mas entrar em contacto com a cultura, a história e a língua do país.
Do arrendamento à compra
Para poderem permanecer em Portugal a tempo inteiro, os dois tiveram de tratar do visto de residência, processo que implicava encontrar um imóvel para arrendar durante 12 meses. Durante a procura, Patty prestou particular atenção a sinais de humidade e bolor, devido às suas dificuldades respiratórias.
Depois de várias tentativas de arrendamento que não resultaram, devido a problemas relacionados com bolor, ventilação e aquecimento, o casal decidiu avançar para a compra de uma casa. Acabou por escolher um apartamento no bairro da Porta Nova, em Tavira, com três quartos, duas casas de banho e terraços com vista para o mar ao longe.
O imóvel custou 425.000 euros. Depois da compra, os dois fizeram algumas alterações para adaptar as casas de banho, substituindo as banheiras por duches ao nível do chão. Dean tratou ainda de algumas tarefas de manutenção e pintura, recorrendo ao comércio local para comprar os materiais necessários.
A experiência numa loja de ferragens acabou por ilustrar uma das diferenças culturais que o casal encontrou. Ao comprar uma grande lata de tinta, Dean percebeu que não vinha incluído um utensílio de madeira para a misturar. Quando perguntou pelo objeto, o funcionário explicou que não era utilizado em Portugal e sugeriu que partisse um ramo de uma árvore para cumprir essa função.
“Todos dizem olá, bom dia”
A integração na comunidade passou também pela decisão de viver sem carro, pelo menos nesta fase. O casal prefere deslocar-se a pequenas lojas familiares, conhecidas localmente como lojas, ao mercado diário e a outros estabelecimentos de proximidade.
Dean destaca sobretudo a forma como é recebido no dia a dia. “Todas as pessoas por quem passo na rua fazem contacto visual e dizem: ‘olá, bom dia’”, contou. Também no comércio encontrou disponibilidade para ajudar, incluindo numa loja de ferragens onde o funcionário fala inglês e costuma indicar alternativas quando não tem determinado produto.
Entre tricô, pastelarias e português
A rotina dos dois inclui ainda atividades que lhes permitem criar relações na cidade. Patty juntou-se a um grupo de tricô onde convive com várias mulheres mais velhas, sendo que apenas uma fala inglês. Participa também em encontros de estrangeiros, enquanto Dean acompanha algumas dessas iniciativas quando não está ocupado com projetos em casa.
A aprendizagem da língua portuguesa é outra das prioridades de Patty. “Estou realmente a tentar aprender português, mas é difícil e percebo que vou estudar a língua durante muitos anos”, afirmou. Dean, por seu lado, incorporou os passeios matinais na nova rotina e costuma escolher percursos que passam por uma pastelaria, onde já é conhecido pela funcionária.
Cidade para ficar
O casal também passou a frequentar o talho local, onde Patty é tratada pelo nome, e procura privilegiar negócios familiares. A opção é apresentada como uma forma de participar na vida económica da comunidade onde decidiram viver, em vez de depender exclusivamente de grandes superfícies ou de espaços destinados ao turismo.
A experiência em Tavira é descrita pelos dois como uma mudança para uma vida mais tranquila. Patty resume a sua relação com a cidade de forma direta: “Adoro absolutamente viver aqui”. Entre as caminhadas, os mercados, os encontros locais e a aprendizagem da língua, o casal encontrou uma rotina diferente daquela que tinha nos Estados Unidos.















