A estratégia do Governo das Ilhas Baleares para aliviar zonas sobrecarregadas através da colaboração com influencers acabou por gerar um aumento inesperado de visitantes, forçando o recuo das autoridades.
Campanha digital atrai multidões inesperadas
As autoridades das Ilhas Baleares implementaram recentemente uma estratégia que visava distribuir o fluxo de turistas por zonas menos conhecidas, através da colaboração com influencers digitais, muitos deles com audiências superiores a meio milhão de seguidores. Esta medida pretendia reduzir a pressão sobre os locais mais concorridos, mas acabou por ter o efeito contrário, segundo admitiu um porta-voz do executivo regional, citado pelo The Guardian.
Em particular, a pequena praia de Caló des Moro, em Maiorca, com capacidade para cerca de 100 pessoas, viu a afluência aumentar para mais de quatro mil visitantes e cerca de 1.200 viaturas por dia em junho de 2024. Esta situação originou congestionamentos e impactos ambientais significativos. María Ponds, presidente da câmara local, apelou mesmo à imprensa para “não voltar a mencionar a praia”. As autoridades removeram todas as fotografias promocionais do local dos portais oficiais e solicitaram aos operadores turísticos que retirassem a zona dos roteiros.
“Selfie tourism” e pressão sobre áreas frágeis
O fenómeno, conhecido como “selfie tourism”, traduz-se na procura por cenários idílicos para fotografias, promovidos por criadores de conteúdos. Embora esta estratégia tenha sido adotada noutros destinos internacionais, como Bali ou Vermont, a popularidade crescente das redes sociais e a facilidade de acesso às ilhas acentuaram o problema nas Baleares, resultando na sobrelotação de zonas ambientalmente sensíveis.
Face ao impacto, o Governo das Ilhas Baleares suspendeu de imediato todas as parcerias com criadores de conteúdos e bloqueou novas colaborações pagas.
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Protestos em resposta ao turismo de massas
Enquanto as Baleares enfrentavam esta situação, milhares de residentes das Ilhas Canárias manifestaram-se no passado dia 18 de maio, sob lemas como “O turismo de massas faz de nós sem-abrigo” e “As Canárias não estão à venda”. Segundo dados oficiais, o arquipélago registou, em março, a entrada de mais de 1,55 milhões de turistas estrangeiros, um aumento de 0,9% em relação ao recorde do ano anterior.
Medidas adicionais em Barcelona e Madrid
A contestação popular ao turismo de massas estendeu-se também às grandes cidades. A câmara municipal de Barcelona anunciou que deixará de conceder novas licenças para alojamento local e não renovará as existentes, com o objetivo de eliminar os apartamentos turísticos até 2028.
Em Madrid, foi aprovada uma medida que entrará em vigor em agosto e proibirá o alojamento local em edifícios residenciais situados na zona central da cidade. Paralelamente, o Governo de Espanha notificou a plataforma Airbnb para remover 65 mil anúncios ilegais que não indicavam o número de licença ou apresentavam dados incorretos, em conformidade com a legislação espanhola.
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