Durante décadas, o atum em conserva esteve praticamente associado a uma única imagem: a tradicional lata metálica. Agora, uma nova solução pretende desafiar esse formato e levar esta conserva para embalagens de cartão.
A inovação resulta de uma parceria entre a Tetra Pak e a produtora espanhola de conservas Jealsa, que começaram a utilizar o formato Tetra Recart numa categoria alimentar dominada pelo metal.
De acordo com a Sapo, a estreia comercial aconteceu recentemente na Europa e a tecnologia deverá agora começar a chegar a outros mercados e marcas.
Atum em cartão já começou a ser vendido
A primeira comercialização aconteceu na Suécia, em maio, através do retalhista Axfood, com uma embalagem de 200 mililitros.
O formato foi desenvolvido para poder receber tanto atum desfiado como em pedaços e está disponível em capacidades de 100 e 200 mililitros.
Segundo a Tetra Pak, a intenção passa por criar uma alternativa às latas metálicas sem alterar a lógica de conservação do produto.
Empresa fala em menos pegada de carbono
Um dos principais argumentos apresentados pela fabricante está relacionado com a componente ambiental.
Com base numa avaliação de ciclo de vida citada pela própria empresa, a Tetra Pak afirma que esta solução pode apresentar uma pegada de carbono 85% inferior à das embalagens de aço e 83% abaixo da registada nos frascos de vidro.
A embalagem poderá ainda incorporar até 71% de papel certificado pelo FSC, proveniente de fontes florestais geridas de forma responsável.
Formato também pode facilitar transporte
Além da componente ambiental, o formato retangular é apontado como outra vantagem.
Segundo a empresa, a forma da embalagem permite aproveitar melhor o espaço nas prateleiras, nos armazéns e durante o transporte.
Este tipo de configuração poderá igualmente facilitar operações de comércio eletrónico e entregas ao domicílio, precisamente por ocupar menos espaço do que algumas embalagens tradicionais.
Consumidores mostram abertura à mudança
A Tetra Pak divulgou também dados sobre a reação dos consumidores à nova solução.
Mais de 80% das pessoas abrangidas pela análise afirmaram que comprariam atum neste tipo de embalagem, enquanto 58% disseram preferir o cartão às opções atualmente disponíveis.
Os números são apresentados pela própria fabricante e surgem numa altura em que a empresa antecipa um crescimento do mercado mundial de atum em conserva.
Mercado poderá continuar a crescer
Segundo uma avaliação encomendada pela Tetra Pak à Meticulous Research, o mercado global de atum em conserva poderá atingir 12,4 mil milhões de unidades até 2030.
A projeção representaria um crescimento aproximado de 12%, num segmento que continua fortemente associado às embalagens metálicas.
A aposta no cartão surge, por isso, como uma tentativa de ganhar espaço numa categoria alimentar de grande dimensão e com hábitos de consumo bastante consolidados.
Jealsa prepara novos produtos
Depois da estreia na Suécia, a Jealsa pretende alargar a utilização do Tetra Recart a diferentes produtos.
Entre as marcas mencionadas encontram-se Rianxeira, Mare Aperto e Robinson Crusoe, além de produtos produzidos para outras marcas.
A Tetra Pak pretende, por sua vez, disponibilizar a tecnologia a fabricantes de vários países.
Lata de atum não vai desaparecer para já
Apesar da novidade, a tradicional lata metálica deverá continuar a dominar o mercado no curto prazo.
A nova embalagem surge sobretudo como uma alternativa para produtores e consumidores interessados em formatos diferentes e numa eventual redução do impacto ambiental associado à embalagem.
Ainda assim, a chegada do cartão a um produto tão associado à lata mostra como até alguns dos formatos mais tradicionais dos supermercados podem começar a mudar nos próximos anos.
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