“Olhão não pode voltar atrás.” O slogan é repetido pelo PS como um mantra. O curioso é que, olhando para a história recente do concelho, não há muito para onde “voltar”: há 50 anos que a Câmara veste a mesma camisola partidária. É como se o maestro que sempre desafinou viesse agora avisar que a orquestra não pode errar. Afinal, os problemas acumulados ao longo dos anos foram criados por aqueles que hoje se apresentam como grandes salvadores da pátria!
A campanha socialista vive deste truque: inventar um “papão” do tal regresso ao passado e convencer que tudo melhorou graças à sua governação. Fala-se de idosos esquecidos e desrespeitados, como se fosse culpa de um inimigo invisível. Recorda-se um tempo de insegurança, quando basta dar dois passos à noite por Olhão ou abrir um jornal para perceber que o medo não ficou na gaveta da memória. E fala-se do cheiro nauseabundo da cidade como se tivesse desaparecido com uma fábrica antiga, ignorando as descargas ilegais de esgoto na Ria Formosa, que continuam a envergonhar qualquer olhanense que passe pela frente ribeirinha ou pela doca de pesca.
Enquanto isso, o tal “desenvolvimento” segue a passos largos — mas não para quem cá vive. Constrói-se e destrói-se com os olhos postos no turista, como se Olhão fosse apenas cenário de postal ilustrado. O caminho traçado pela campanha confirma aquilo que muitos já sentem: nem sempre o percurso da cidade é feito para os olhanenses.
Mas o mais caricato é a ausência de promessas. Não há projetos, não há soluções, não há compromissos: há apenas o apelo à fé cega. “Confiem em nós”, dizem. É como pedir a quem está num navio à deriva que confie no capitão que nunca olhou à carta de marear!
Entre os discursos e slogans, sobra muito teatro e pouco conteúdo. Não há planos claros nem projetos concretos que respondam às necessidades de quem vive na cidade. Os jovens, por exemplo, parecem invisíveis: sem oportunidades, sem incentivos, sem espaço para criar ou permanecer. A campanha fala de confiança, mas esquece que confiança não enche currículos, não cria empregos nem devolve a cidade aos seus habitantes mais novos.
O PS em Olhão gosta de se apresentar como o bombeiro que apaga os fogos. Esquece-se apenas de um detalhe: foi sempre o mesmo PS a brincar com os fósforos.
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