Na próxima quarta-feira, 12 de agosto, Portugal vai assistir a um dos eclipse solar, um dos mais marcantes das últimas décadas. Em praticamente todo o território continental, a Lua irá ocultar entre 92% e 99% do disco solar, enquanto uma pequena zona do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança, ficará dentro da faixa de totalidade. Ali, o Sol ficará completamente coberto durante cerca de 26 segundos. Muitos observadores deverão recorrer ao telemóvel para fotografar ou filmar o eclipse, mas apontar diretamente a câmara para o Sol sem proteção não é aconselhável.
A Euronews alerta para a necessidade de utilizar filtros solares adequados na fotografia do eclipse, uma recomendação também feita pela NASA e pela American Astronomical Society (AAS), que lembram que a luz solar concentrada pelas óticas pode danificar equipamento e, sobretudo, representar um perigo grave para os olhos.
O sensor do telemóvel também precisa de proteção
Uma câmara de smartphone funciona através de uma objetiva que concentra a luz no sensor. Embora estes sensores sejam pequenos e uma exposição muito breve não implique necessariamente danos, manter a câmara apontada diretamente para o Sol durante períodos prolongados aumenta o risco.
A NASA recomenda que seja colocado um filtro solar próprio entre a câmara e o Sol durante as fases parciais do eclipse. A regra aplica-se tanto a smartphones como a máquinas fotográficas e torna-se especialmente importante quando são usadas objetivas com maior ampliação ou acessórios óticos.
Não é, por isso, aconselhável deixar o telemóvel vários minutos a gravar continuamente o Sol sem proteção. Além do sensor, o equipamento poderá aquecer devido à exposição solar e às temperaturas elevadas típicas de agosto.
Óculos de eclipse não são exatamente o mesmo que um filtro para a câmara
Há aqui uma distinção importante. A norma internacional ISO 12312-2 é destinada principalmente aos filtros utilizados para observar diretamente o Sol com os olhos, como os conhecidos óculos de eclipse. A AAS esclarece que essa norma não se aplica especificamente aos filtros destinados a câmaras, binóculos ou telescópios, embora materiais que cumpram os requisitos de transmissão e qualidade da norma possam ser utilizados em determinados filtros óticos.
Para fotografar, a solução mais segura passa, assim, por utilizar um filtro solar concebido para câmaras ou smartphones e colocá-lo de forma segura à frente da objetiva. A AAS mantém inclusivamente uma lista de fornecedores de filtros solares próprios para telemóveis e outro equipamento ótico.
A Euronews também recomenda filtros solares para quem pretenda fotografar o eclipse, tanto com teleobjetivas como com outros equipamentos fotográficos.
Só há um momento em que o filtro pode ser retirado
A exceção ocorre durante a totalidade, quando a Lua cobre completamente a superfície brilhante do Sol. Nesse breve período é possível retirar o filtro para captar a coroa solar.
Mas há um detalhe decisivo para quem estiver em Portugal: isso só será possível para quem se encontrar efetivamente dentro da pequena faixa de totalidade no Parque Natural de Montesinho. Segundo a plataforma oficial Eclipse 2026, nesta zona o período de totalidade deverá durar apenas cerca de 26 segundos, com o máximo próximo das 19h30.
No restante território português, o eclipse será parcial, mesmo nos locais onde a ocultação se aproxima dos 99%. Nesses casos, não existe qualquer momento seguro para retirar a proteção enquanto a câmara estiver apontada diretamente para o Sol.
Assim que a primeira parte brilhante do Sol reaparecer depois da totalidade, o filtro deve voltar imediatamente para a frente da objetiva.
Zoom e acessórios exigem cuidados adicionais
Quem quiser aproximar o Sol na imagem deve ter ainda mais atenção. Binóculos, telescópios e teleobjetivas concentram uma quantidade muito superior de luz e nunca devem ser apontados ao Sol sem um filtro solar próprio montado na parte frontal da ótica.
A NASA é especialmente clara neste ponto: não se deve olhar para o Sol através de uma máquina fotográfica, telescópio ou binóculos usando apenas óculos de eclipse. A radiação concentrada pelo equipamento pode atravessar ou danificar o filtro e provocar lesões oculares graves.
No caso do telemóvel, também faz sentido evitar confiar excessivamente no zoom digital, que não aproxima realmente a imagem através da ótica e apenas amplia os píxeis captados. Quem pretenda uma imagem mais aproximada deverá utilizar equipamento adequado e, acima de tudo, um filtro solar compatível.
Um tripé pode ajudar mais do que segurar o telemóvel durante vários minutos
Para conseguir uma imagem estável sem manter constantemente a câmara apontada ao Sol, um pequeno tripé e o temporizador podem ser úteis. Também é possível realizar fotografias espaçadas ao longo do eclipse, em vez de manter uma gravação contínua durante toda a fase parcial.
As definições ideais de exposição variam bastante consoante o modelo de telemóvel, o tipo de filtro utilizado, a distância focal e as condições atmosféricas. Por isso, não existe uma configuração de ISO ou velocidade de obturação que funcione da mesma forma em todos os equipamentos.
Convém ainda proteger o aparelho do calor entre fotografias. Deixá-lo exposto ao Sol durante todo o fenómeno pode elevar a temperatura e levar o próprio sistema a reduzir o desempenho ou desligar temporariamente o equipamento.
Portugal terá apenas alguns segundos de eclipse total
O fenómeno começará ao final da tarde e será visível em todo o país, embora com diferenças significativas. Segundo a organização Eclipse 2026, Portugal continental terá uma ocultação entre 92% e 99%, enquanto Açores e Madeira deverão registar valores entre 74% e 77%. Apenas uma pequena área do Parque Natural de Montesinho chegará aos 100%.
Na zona de Rio de Onor, onde está prevista uma observação organizada pelo Centro Ciência Viva de Bragança, o eclipse começará pelas 18h33 e terminará cerca das 20h23, com o máximo próximo das 19h30.
Para quem pretenda guardar o momento no telemóvel, a regra essencial mantém-se simples: enquanto alguma parte da superfície brilhante do Sol estiver visível, a câmara deve estar protegida por um filtro solar adequado. Fora da estreita faixa de totalidade em Bragança, essa proteção não deverá ser retirada em nenhum momento do eclipse.
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