Há trabalhos que atravessam praticamente uma vida inteira. Umberto Olmati continua ligado ao balcão onde começou ainda adolescente e mantém uma das tradições mais antigas do estabelecimento: preparar as natas à mão.
A história do italiano ganhou destaque depois de ser divulgada pelo Gambero Rosso e pelo Il Messaggero e posteriormente reproduzida pelo Noticias Trabajo. Umberto tornou-se uma figura conhecida em Perugia graças ao trabalho desenvolvido durante décadas na Antica Latteria di Perugia.
Começou a trabalhar quando ainda usava “calções”
“Eu tinha 15 anos, ainda usava calções. No início nem sequer me pagavam, mas subia a pé até ao centro todos os dias”, recordou Umberto, citado pelas publicações italianas.
A primeira vez que entrou no estabelecimento terá sido em 1954, numa altura em que o espaço funcionava ainda como uma cooperativa de leite. Desde então, acompanhou profundas mudanças nos hábitos dos clientes e no próprio comércio da cidade.
No local eram preparados produtos como iogurte, ricotta, mozzarella, parmesão e natas. A produção artesanal continua a fazer parte da identidade do negócio, atualmente gerido pelo filho, Francesco.
Continua a preparar as natas à mão
Mesmo depois de tantas décadas de trabalho, Umberto continua ativo. Entre as tarefas que mantém está precisamente uma das que ajudaram a tornar o estabelecimento conhecido: bater as natas manualmente.
“Se dependesse de mim, nunca sairia daqui”, confessou, numa declaração que ajuda a explicar a ligação que mantém ao espaço onde passou grande parte da vida.
O negócio, contudo, teve de mudar ao longo das décadas. Umberto recorda uma época em que, durante o verão, chegavam a ter cerca de 50 litros de leite disponíveis por dia, enquanto no inverno podiam ficar limitados a apenas 10 litros.
Supermercados obrigaram o negócio a mudar
Com a expansão das grandes superfícies comerciais, o modelo tradicional das antigas leitarias começou a perder espaço. A família decidiu então apostar mais no café, nos cappuccinos e na pastelaria.
Entre as especialidades encontram-se os maritozzi à moda de Perugia, preparados com passas e anis, além dos brioches recheados com natas que ajudaram a tornar Umberto conhecido entre os clientes.
Até o tamanho dos bolos acabou por mudar por sugestão de quem passava pelo estabelecimento. “Todos me pediam para cortar um brioche ao meio porque um inteiro fazia mal à saúde. Então comecei a fazê-los ainda mais pequenos”, contou.
O percurso de décadas valeu-lhe também reconhecimento público. Umberto recebeu o Baiocco d’Oro, distinção atribuída pelo Município de Perugia a pessoas que se destacam na cidade.
Mais de sete décadas depois de ter começado a trabalhar, continua assim ligado ao estabelecimento e às técnicas artesanais que aprendeu quando ainda era adolescente.
















