Quem utiliza diariamente o comboio nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto vai passar a ter uma alternativa mais barata para as deslocações regulares. O Passe Ferroviário Verde, criado para permitir viagens ferroviárias em grande parte da rede nacional, será alargado aos serviços urbanos da CP já nos próximos dias, coincidindo com a Semana Europeia da Mobilidade.
De acordo com o Notícias ao Minuto, a medida permitirá que muitos passageiros deixem de necessitar dos passes intermodais atualmente utilizados nas duas maiores áreas metropolitanas do país. Na prática, quem recorre exclusivamente ao comboio para se deslocar entre casa e o trabalho poderá optar apenas pelo Passe Ferroviário Verde, cujo custo mensal é de 20 euros.
O que muda para os passageiros
A principal novidade está na inclusão das linhas urbanas da CP abrangidas pelos sistemas Navegante, em Lisboa, e Andante, no Porto. Até agora, muitos utilizadores necessitavam de combinar diferentes títulos de transporte para realizar as suas viagens do dia a dia.
Com esta alteração, o Passe Ferroviário Verde passa a servir também para as deslocações pendulares efetuadas exclusivamente por comboio nestas regiões. O objetivo é simplificar a utilização dos transportes ferroviários e reduzir os encargos mensais para quem depende deste meio de transporte.
A medida entra em funcionamento entre 16 e 22 de setembro, período em que se assinala a Semana Europeia da Mobilidade, ficando disponível para os passageiros das redes urbanas abrangidas.
Quanto é possível poupar
Os exemplos divulgados pelo Governo ajudam a perceber o impacto da medida no orçamento de alguns utilizadores.
Um dos casos apresentados refere-se a um trabalhador residente em Vila Nova de Famalicão que se desloca diariamente para o centro do Porto. Atualmente, este passageiro tem de suportar um custo mensal de 60 euros, resultante da combinação de diferentes títulos de transporte. Com a entrada em vigor das novas regras, poderá passar a utilizar apenas o Passe Ferroviário Verde por 20 euros mensais, reduzindo significativamente a despesa anual.
Outro exemplo envolve um passageiro que vive em Monte Abraão, no concelho de Sintra, e trabalha em Entrecampos, em Lisboa. Nessa situação, quem atualmente opta pelo passe Navegante ou pelo passe ferroviário da CP poderá trocar esses títulos pelo Passe Ferroviário Verde, obtendo igualmente uma redução relevante nos custos ao longo do ano.
Segundo a mesma fonte, as poupanças podem atingir os 480 euros anuais em determinadas situações, dependendo do percurso realizado e dos títulos atualmente utilizados pelos passageiros.
Mais do que viagens para o trabalho
O alargamento do Passe Ferroviário Verde não se limita às deslocações diárias entre casa e emprego. O título continua a permitir viagens de lazer na rede ferroviária abrangida pelo programa, o que significa que os utilizadores podem aproveitar o mesmo passe para se deslocarem a outras regiões do país durante fins de semana ou períodos de descanso.
Mantêm-se, contudo, algumas limitações já existentes. O passe continua sem cobertura para os serviços Alfa Pendular e para as viagens em primeira classe nos comboios Intercidades.
A iniciativa surge num contexto de incentivo à utilização dos transportes públicos e de redução da dependência do automóvel nas grandes cidades. Segundo a mesma fonte, o impacto financeiro anual estimado da medida ronda os 1,5 milhões de euros e insere-se na estratégia governamental de simplificação tarifária e de promoção da mobilidade sustentável.
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