A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) arquivou o inquérito aberto para analisar o socorro prestado a um homem que morreu em Tavira, concluindo que não ficou demonstrada uma relação direta entre o atraso na chegada dos meios de emergência e o desfecho fatal.
Em comunicado divulgado hoje, a IGAS informou que o processo destinado a apurar as circunstâncias da morte, ocorrida a 6 de janeiro de 2026 enquanto a vítima aguardava assistência do INEM, foi arquivado no passado dia 7 de agosto.
O caso envolveu um homem de 68 anos que morreu depois de terem sido efetuadas várias chamadas para o INEM, tendo os meios de emergência chegado ao local mais de uma hora depois do primeiro pedido de socorro, segundo relatou a família na altura.
De acordo com a cronologia da ocorrência, a que a Lusa teve acesso, a primeira chamada foi registada às 18:07, seguindo-se um novo contacto para questionar a demora na chegada dos meios de emergência.
Prioridade foi alterada após paragem cardiorrespiratória
A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (resposta em 18 minutos), passando a P1 (resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18:47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória.
“A IGAS apurou a inexistência de nexo de causalidade entre o atraso no atendimento (que é efetivo) e o desfecho fatal verificado”, avançou a inspeção-geral, que concluiu também que não existiram indícios de infrações disciplinares imputáveis aos profissionais que tiveram participação no caso, referindo especificamente os trabalhadores do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM.
“Ficou evidenciado que todos os intervenientes realizaram as diligências que lhe competiam de imediato, com celeridade e assertividade, acionando primeiramente os meios de socorro disponíveis (Bombeiros de Faro – Cruz Lusa e a ambulância de suporte imediato de vida de Tavira) e, depois, com a alteração do grau de prioridade (paragem cardiorrespiratória), o meio de socorro mais diferenciado (viatura médica de emergência e reanimação de Faro)”, adiantou o comunicado.
Inoperacionalidade das ambulâncias de Tavira condicionou resposta
Segundo a IGAS, contribuiu para o “desfecho fatal” a distância em que se encontrava a ambulância dos Bombeiros de Faro – Cruz Lusa, a cerca de 30 quilómetros, que foi o meio de socorro acionado em alternativa, face à inoperacionalidade das ambulâncias dos Bombeiros Voluntários de Tavira, que ficavam a menos de metade da distância.
Além disso, a inspeção-geral concluiu que as queixas transmitidas inicialmente não apontavam para um caso de paragem cardiorrespiratória, o que levou ao acionamento de um meio de socorro menos diferenciado.
“O facto de a patologia revelada na autópsia médico-legal ser de extrema gravidade, com um índice de mortalidade muito elevado”, foi outro dos fatores que “contribuíram decisivamente para o desfecho fatal”, referiu a IGAS.
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