Depois das alterações já aplicadas ao IRS em 2026, o imposto vai voltar a baixar. O Governo anunciou um novo desagravamento até ao 6.º escalão, com um impacto global estimado em cerca de 400 milhões de euros.
A medida deverá abranger mais de dois milhões de agregados familiares e, devido à progressividade do IRS, também poderá beneficiar contribuintes que se encontrem acima do 6.º escalão. Segundo a informação oficial do Governo, o efeito começará a ser sentido a partir de novembro, através de uma redução das retenções na fonte no salário e no subsídio de Natal.
Quanto vai receber a mais em novembro?
Para já, ainda não é possível calcular com rigor o valor que cada trabalhador terá a mais no recibo de vencimento. O Governo ainda terá de concretizar as novas taxas e as tabelas de retenção na fonte que permitirão saber exatamente quanto será descontado em novembro e dezembro.
O impacto dependerá de fatores como o salário bruto, situação conjugal, existência de dependentes e número de titulares de rendimento no agregado. Há ainda um fator que poderá tornar novembro diferente de um mês normal: o Governo anunciou que o novo corte terá efeitos retroativos a janeiro de 2026.
Isso significa que as retenções dos últimos meses do ano terão de refletir também parte do imposto que foi retido ao longo dos meses anteriores.
Salário e subsídio de Natal vão sentir a descida
Segundo o Executivo, o alívio será aplicado através das retenções na fonte tanto ao salário como ao subsídio de Natal.
Na prática, um trabalhador poderá receber um valor líquido superior sem que o seu salário bruto tenha sido aumentado pela entidade patronal.
A diferença resulta simplesmente de ser descontado menos IRS.
É importante fazer esta distinção, porque uma redução na retenção não corresponde a um aumento salarial propriamente dito.
Estas são as taxas atuais do IRS
Antes desta nova redução, os escalões em vigor em 2026 estão definidos no artigo 68.º do Código do IRS. As taxas normais dos seis primeiros escalões são atualmente de:
| Rendimento coletável | Taxa normal |
|---|---|
| Até 8.342 € | 12,5% |
| Mais de 8.342 € até 12.587 € | 15,7% |
| Mais de 12.587 € até 17.838 € | 21,2% |
| Mais de 17.838 € até 23.089 € | 24,1% |
| Mais de 23.089 € até 29.397 € | 31,1% |
| Mais de 29.397 € até 43.090 € | 34,9% |
Estes valores constam atualmente do Código do IRS, cuja versão consolidada pode ser consultada no Diário da República.
Está acima do 6.º escalão? Também pode ganhar
Apesar de o Governo falar numa descida “até ao 6.º escalão”, isso não significa que quem se encontra no 7.º, 8.º ou 9.º escalão fique necessariamente de fora.
O IRS é um imposto progressivo. O rendimento de um contribuinte é repartido por escalões, pelo que quem chega a um escalão superior também tem uma parte do rendimento sujeita às taxas dos escalões anteriores.
É precisamente por esse motivo que o Governo afirma que a medida deverá, na prática, beneficiar todos os contribuintes de IRS, incluindo aqueles com rendimentos mais elevados.
Então quanto dinheiro vai realmente cair na conta?
A resposta definitiva só chegará quando forem conhecidas as novas taxas e tabelas de retenção. Não seria rigoroso afirmar nesta fase que alguém que ganha 1.200, 1.500 ou 2.000 euros terá mais um determinado número de euros em novembro, porque o Governo ainda não publicou os elementos necessários para fazer essas contas.
As simulações que circularam anteriormente referem-se a reduções de IRS aprovadas em momentos anteriores e não devem ser confundidas com este novo corte anunciado em setembro.
Para já, há três dados oficiais: o novo alívio vale cerca de 400 milhões de euros, produzirá efeitos retroativos a janeiro de 2026 e começará a ser sentido nas retenções a partir de novembro, incluindo no subsídio de Natal.
Assim que forem publicadas as novas tabelas, será então possível perceber exatamente quanto aumenta o rendimento líquido para cada nível salarial.
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