O GPS que orienta uma viagem e as imagens que ajudam a prever a chuva têm algo em comum: dependem de satélites. Uma falha nesses equipamentos pode sentir-se nas comunicações, nos transportes e noutros serviços usados todos os dias. É também por isso que a sua segurança ultrapassa os interesses militares, como a presença de armas no espaço.
A confirmação de que os Estados Unidos têm armas em órbita provocou reações da China e da Rússia, que defenderam a prevenção de uma corrida ao armamento no espaço. O anúncio norte-americano foi feito em 14 de setembro, durante uma conferência sobre defesa aérea, espacial e cibernética, de acordo com a Força Espacial dos EUA.
Estados Unidos confirmam armas em órbita
O secretário da Força Aérea norte-americana, Troy Meink, afirmou que o país dispõe de armas de controlo espacial em órbita capazes de proteger as suas forças militares contra ações hostis. A declaração consta de uma publicação oficial divulgada pela Força Espacial em 15 de setembro.
Segundo essa publicação, foi a primeira vez que Meink reconheceu publicamente a colocação de armas no espaço pela Força Espacial. O responsável enquadrou essa capacidade na preparação para enfrentar ameaças e mudanças tecnológicas cada vez mais rápidas.
China pede aos EUA que travem reforço militar
A resposta chinesa chegou ontem, dia 15, pela voz de Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Pequim declarou opor-se à instalação de armamento no espaço, à sua transformação numa zona de guerra e a uma corrida armamentista.
“Instamos os EUA a pararem de expandir o reforço militar no espaço”, afirmou o porta-voz, numa tradução da transcrição oficial da conferência de imprensa.
Guo Jiakun apelou ainda a medidas concretas para preservar a estabilidade estratégica mundial.
Rússia defende espaço livre de armas
Também o Kremlin reagiu ao anúncio. Dmitry Peskov, porta-voz da Presidência russa, defendeu que o espaço deve permanecer livre de qualquer tipo de armamento, segundo um resumo oficial divulgado pela Embaixada da Rússia na África do Sul.
Na mesma comunicação, Moscovo manifestou a expectativa de reunir um amplo consenso internacional em torno da desmilitarização completa do espaço.
Natureza destas armas continua por esclarecer
A publicação oficial norte-americana não identifica os sistemas colocados em órbita, o seu número ou as respetivas características técnicas. A expressão “armas de controlo espacial” não permite, por si só, concluir que se trata de mísseis, lasers ou equipamentos de interferência eletrónica.
Num documento separado sobre ameaças espaciais, a Força Espacial acusa a China e a Rússia de desenvolverem capacidades para perturbar ou degradar sistemas norte-americanos.
Há um tratado, mas não proíbe todas as armas
O espaço não está sem enquadramento jurídico internacional. O Tratado do Espaço Exterior, de 1967, proíbe a colocação em órbita de armas nucleares e de outras armas de destruição maciça, conforme explica o Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos do Espaço Exterior.
Essa proibição não equivale a uma interdição geral de todas as armas convencionais em órbita. O tratado determina ainda que a Lua e os restantes corpos celestes sejam utilizados exclusivamente para fins pacíficos, estabelecendo restrições específicas às atividades militares nesses locais.
Destruir um satélite pode ameaçar outros
Um dos riscos de um confronto envolve os fragmentos deixados pela destruição de equipamentos. A Agência Espacial Europeia explica que uma colisão destrutiva pode gerar milhares de detritos, capazes de atingir outros objetos e alimentar novas colisões.
As consequências podem chegar à vida quotidiana. Segundo a mesma agência, os detritos ameaçam serviços de telecomunicações, previsão meteorológica, observação da Terra e navegação por GPS e Galileo. Proteger os satélites significa, por isso, preservar serviços utilizados muito para além das forças armadas.
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