Portugal continental deverá entrar em agosto com temperaturas acima do normal em grande parte do território, num cenário marcado pelo reforço temporário do anticiclone dos Açores. Ainda assim, a tendência a mais longo prazo aponta para um mês sem um padrão claramente dominante, com possibilidade de maior variabilidade atmosférica e de episódios de instabilidade, sobretudo na segunda quinzena.
De acordo com a Meteored, o primeiro dia de agosto deverá registar temperaturas entre 3 e 7 ºC acima da média de forma geral, podendo as anomalias positivas ser localmente superiores. Apesar disso, Portugal tem sido relativamente poupado às ondas de calor que afetaram várias zonas da Europa neste verão, tendo registado apenas um episódio mais severo nos primeiros dias de julho.
Agosto é o mês mais quente do ano em Portugal
Agosto é, em termos climatológicos, o mês mais quente do ano em Portugal continental, seguido de julho. Segundo a normal climatológica 1991-2020, a temperatura média máxima em agosto é de 29,89 ºC, valor que ajuda a explicar a frequência de dias muito quentes nesta altura do ano.
As noites tropicais, em que a temperatura mínima é igual ou superior a 20 ºC, continuam também a ocorrer com regularidade, sobretudo no Alentejo e no Algarve. Podem ainda surgir, ocasionalmente, nos vales do Douro e do Tejo e em zonas da Beira Baixa.
A temperatura média mensal mostra um contraste claro entre o Norte e o Sul do país. Com exceção da estação meteorológica de Sines, no distrito de Setúbal, a metade norte do continente apresenta valores médios entre 20 e 22 ºC, enquanto a metade sul regista valores entre 23 e 25 ºC.
Chuva é residual, mas não está excluída
Agosto é um dos meses mais secos do ano em Portugal, mas isso não significa ausência total de precipitação. A Meteored explica que a chuva média acumulada apresenta um contraste forte entre regiões. No Noroeste, os valores são superiores à média nacional para este mês, devido à influência ocasional de frentes atlânticas. A sul do Tejo, pelo contrário, a precipitação tende a ser residual.
Esta diferença está relacionada com a latitude, com o efeito de barreira do sistema montanhoso Montejunto-Estrela e com a influência do anticiclone dos Açores. Ainda assim, algumas regiões podem ser afetadas por gotas frias durante agosto, sobretudo quando depressões isoladas em altitude favorecem o desenvolvimento de instabilidade.
Nestes casos, podem ocorrer aguaceiros acompanhados de trovoada e, em situações mais severas, episódios de granizo. Para a agricultura, este é um risco a ter em conta, uma vez que fenómenos localizados podem causar estragos significativos em pouco tempo.
Anticiclone reforça-se no início do mês
A previsão subsazonal do modelo europeu ECMWF, referida pela Meteored, aponta para uma mudança no padrão meteorológico coincidente com o início de agosto. O cenário previsto não indica uma alteração drástica das condições atmosféricas, mas sugere um reforço temporário da estabilidade.
A partir de quinta-feira, 30 de julho, deverá instalar-se um padrão NAO positivo, que se poderá prolongar até segunda-feira, 3 de agosto. Quando este índice está positivo, a pressão atmosférica tende a ser mais elevada do que o habitual nos Açores e mais baixa na Islândia, reforçando o anticiclone do Atlântico Norte e favorecendo a sua extensão até à Península Ibérica.
Na prática, este padrão tende a consolidar tempo seco, estável e influenciado pelas altas pressões. É neste contexto que agosto deverá começar com temperaturas acima do normal em várias zonas do país, embora sem sinais de uma onda de calor comparável à registada no início de julho.
Segunda quinzena pode trazer maior instabilidade
O período de NAO positiva deverá ser temporário. A partir de terça-feira, 4 de agosto, os cenários do ECMWF apontam para um aumento da variabilidade atmosférica, o que também aumenta a incerteza na evolução do estado do tempo.
Caso esta tendência se confirme, Portugal continental poderá entrar numa fase com alternância mais frequente entre períodos de estabilidade e episódios de instabilidade. No conjunto do mês, agosto deverá apresentar temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média climatológica, mas esse sinal não deverá ser igual em todo o território.
A Meteored sublinha que não se vislumbra, nesta fase, um padrão claramente dominante para agosto. Isso favorece uma maior diversidade de estados do tempo ao longo do mês e torna menos provável uma sucessão de ondas de calor como a que atingiu várias regiões da Europa em junho e julho.
Interior Norte e Centro com maior probabilidade de trovoadas
A maior dinâmica atmosférica prevista para agosto poderá favorecer a descida de bolsas de ar frio para latitudes mais baixas, criando condições mais propícias ao desenvolvimento de instabilidade. Com isso, aumenta a probabilidade de aguaceiros e trovoadas, sobretudo durante a segunda quinzena do mês.
Segundo o mapa de previsão de anomalias de precipitação do modelo europeu, o interior Norte e Centro poderá concentrar a maior probabilidade de ocorrência de trovoadas. Os distritos de Vila Real, Viseu, Bragança, Guarda e Castelo Branco surgem como as zonas mais expostas a este tipo de cenário.
Este comportamento está em linha com aquilo que é habitual no final do verão climatológico, período em que as regiões interiores tendem a registar maior atividade convectiva. Ainda assim, tratando-se de uma previsão a longo prazo, a evolução deverá ser acompanhada nos próximos dias, à medida que os modelos forem atualizando os cenários para agosto.
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