Fábio cresceu rodeado pela dança, mas foi no Algarve que a paixão se transformou num projeto profissional que acabaria também por mudar a sua vida pessoal. Mudou-se de Setúbal para a região em 2010, começou por dar aulas em espaços alugados à hora e, quatro anos depois, encontrou em Portimão o local onde instalou a sua própria escola.
Em entrevista ao jornal The Portugal News, Fábio contou que o seu primeiro contacto com a dança surgiu através dos pais, que gostavam de dançar e lhe ensinaram os primeiros passos. Aos 21 anos, um professor da escola que frequentava pediu-lhe ajuda com novos alunos. Começou depois a colaborar noutros locais e, aos 23 anos, a dança já se tinha tornado na sua profissão.
Começou no Algarve com salas alugadas à hora
Quando chegou ao Algarve, instalou-se inicialmente em Alvor e ainda não tinha um espaço próprio. Para conseguir dar aulas, alugava salas à hora e foi construindo gradualmente uma base de alunos até conseguir, em 2014, arrendar um espaço em Portimão onde o projeto ganhou outra dimensão.
No início, a escola ocupava apenas o piso superior do edifício, mas o crescimento levou à utilização dos dois andares. Atualmente, há momentos em que as quatro salas de dança estão simultaneamente ocupadas com aulas, numa oferta dirigida a pessoas de diferentes idades e níveis de experiência.
Foi através de um aluno que conheceu a mulher
A história de Fábio e Ana começou precisamente dentro deste projeto. Um aluno com síndrome de Down tinha ficado sem parceiro de dança e o professor decidiu procurar alguém que estivesse disponível para continuar a dançar com ele. Publicou então um anúncio nas redes sociais, deixando claro que a pessoa escolhida nem sequer teria de pagar as aulas.
Ana respondeu ao pedido e apresentou-se no estúdio, mas colocou uma condição inesperada: queria pagar pelas aulas. “Foi quando me apaixonei por ela”, recordou Fábio ao jornal, explicando que começaram por ser amigos e que a relação romântica surgiu mais tarde. Ana não era profissional, embora já gostasse de dançar, e começou progressivamente a treinar outros estilos e a assumir um papel maior na escola.
Hoje dão aulas juntos em Portimão
O que começou com Ana enquanto aluna e como uma ajuda ocasional transformou-se numa atividade profissional partilhada pelo casal. Atualmente, os dois conduzem aulas e Ana é também responsável pela sua própria aula de Lady Styling, enquanto outros professores se juntaram entretanto à equipa.
A oferta inclui estilos como bachata, salsa, kizomba e tango argentino, apontados como alguns dos mais populares, mas estende-se igualmente a flamenco, ballet, Pilates e outras modalidades. Há ainda aulas para crianças, incluindo hip-hop e atividades adaptadas aos mais novos.
Projeto também chega a idosos e pessoas com deficiência
A ideia de que a dança deve estar acessível a diferentes públicos levou Fábio a desenvolver trabalho fora da própria escola. Antes da pandemia, crianças com deficiência participavam nas aulas regulares, mas as necessidades adicionais de proteção durante esse período alteraram a dinâmica e essas sessões acabaram por não regressar ao espaço nos mesmos moldes.
Em vez de interromper o contacto, passou a deslocar-se semanalmente à associação onde se encontram essas crianças para continuar o trabalho. Faz algo semelhante com um grupo de seniores de outra associação de Portimão, procurando levar a dança a quem pode não conseguir frequentar regularmente a escola.
Numa aula podem juntar-se cinco ou seis nacionalidades
A escola recebe igualmente pessoas que não falam português. Fábio domina vários idiomas, incluindo inglês, e descreve as turmas como bastante internacionais, havendo sessões em que estão representadas cinco ou seis nacionalidades. Também não é necessário aparecer com um parceiro, uma vez que a troca entre participantes faz parte da dinâmica utilizada nas aulas.
Mesmo depois de vários anos a ensinar, continua a frequentar formações e a procurar novas certificações e metodologias. Fora da escola, Fábio e Ana adaptaram a própria rotina familiar aos horários noturnos das aulas e aproveitam o tempo livre para passeios em locais como Cacela Velha ou para ir à praia em Ferragudo. Mais de uma década depois da mudança para o Algarve, aquele que começou por alugar espaços à hora em Alvor dirige agora em Portimão um projeto onde encontrou também a pessoa com quem passou a partilhar a vida e a dança.
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