Quem olha para a falésia clara da Praia da Luz, no concelho de Lagos, encontra uma formação que destoa do restante cenário. Conhecida como Rocha Negra, esta estrutura muito escura é um vestígio da atividade vulcânica que ocorreu em Portugal há mais de 70 milhões de anos e está associada a um vulcão considerado extinto.
Segundo a Fototeca Municipal de Lagos, a Rocha Negra corresponde a uma antiga chaminé vulcânica e resulta de uma intrusão de lava relacionada com fenómenos que contribuíram para formar parte da superfície do Algarve. A mesma fonte refere que o vulcão é considerado extinto por não ter registado atividade nos últimos 10.000 anos.
Mancha escura no meio da falésia
A formação torna-se particularmente evidente devido ao contraste com a arriba envolvente. A nascente da praia, a falésia eleva-se em materiais mais claros, sobretudo calcários e margas, sendo atravessada por marcas deixadas pela escorrência das águas ao longo do tempo.
Segundo o portal turístico Visit Algarve, é precisamente neste cenário esbranquiçado que surge a Rocha Negra. A entidade descreve-a como um filão vulcânico associado à Serra de Monchique que se prolongou até ao mar, criando uma das características geológicas mais facilmente reconhecíveis desta zona da costa algarvia.
Atividade vulcânica aconteceu há mais de 70 milhões de anos
A origem desta estrutura remonta a um passado muito anterior à presença humana na região. A Fototeca Municipal de Lagos situa a atividade vulcânica responsável pela Rocha Negra há mais de 70 milhões de anos, tendo a lava penetrado nas formações rochosas existentes.
O resultado desse processo permanece atualmente visível junto à Praia da Luz. Apesar da referência ao vulcão, não existe atividade recente associada ao local, sendo o caráter extinto justificado pela ausência de manifestações vulcânicas durante pelo menos os últimos 10 mil anos.
Praia guarda também fósseis e vida marinha
A geologia não se resume, contudo, à Rocha Negra. Na zona poente da praia existe uma extensa plataforma rochosa trabalhada pela ação do mar, onde podem ser observados fósseis marinhos e diferentes organismos da faixa entre marés.
Poderá ainda encontrar anémonas, lapas, búzios e algas coloridas nestas superfícies. A combinação entre as formações rochosas, a arriba e o areal torna a Praia da Luz num local onde diferentes episódios da história natural da região permanecem visíveis na paisagem.
Antiga vila piscatória transformou-se num destino de veraneio
A praia está ligada à povoação da Luz, hoje marcada por uma forte presença turística. Contudo, importa recordar que a localidade foi em tempos uma vila piscatória com particular importância entre os séculos XIII e XVI.
A marginal calcetada acompanha atualmente a frente marítima, ladeada por palmeiras e estabelecimentos com esplanadas. A poente, este percurso aproxima-se das muralhas da fortaleza construída originalmente para proteger a Igreja da Luz dos ataques de piratas provenientes do norte de África.
Areal divide-se entre areia e zonas rochosas
A Praia da Luz apresenta uma área de areia fina e branca e outra marcada pelas formações rochosas. Trata-se de uma praia de grandes dimensões, equipada com apoios balneares, vigilância e condições de acesso para pessoas com mobilidade reduzida.
As águas da baía são também descritas como adequadas à prática de diferentes atividades náuticas, incluindo windsurf, kitesurf, canoagem e mergulho. Contudo, é na arriba que permanece um dos elementos mais invulgares da paisagem: uma mancha escura que testemunha fenómenos vulcânicos ocorridos há dezenas de milhões de anos no Algarve.
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