Portugal continental deverá entrar em julho sob um episódio de calor intenso e persistente, provocado por uma cúpula de calor que vai afetar a Península Ibérica. Durante vários dias, o país poderá funcionar como uma espécie de “forno”, acumulando calor à superfície e dificultando o arrefecimento durante a noite.
O fenómeno deverá marcar, pelo menos, os primeiros cinco dias de julho, criando condições favoráveis a temperaturas muito acima do normal para esta altura do ano.
Segundo a previsão analisada pela Meteored, o calor será agravado pela conjugação de vários fatores meteorológicos, incluindo forte insolação, estabilidade atmosférica e entrada de ar muito quente vindo do Norte de África.
Cúpula de calor vai prender ar quente
A chamada cúpula de calor ocorre quando uma massa de ar quente fica retida sob uma crista anticiclónica em altitude.
Na prática, esta configuração funciona como uma “tampa atmosférica”, dificultando a dispersão do ar quente e permitindo que as temperaturas subam dia após dia.
Este efeito será sentido em Portugal continental e em grande parte da Península Ibérica, onde o calor acumulado à superfície deverá intensificar-se ao longo dos primeiros dias de julho.
Forte insolação agrava cenário
Um dos fatores que vai contribuir para este episódio é a forte insolação típica do verão.
Nesta altura do ano, a superfície terrestre recebe uma grande quantidade de energia solar ao longo do dia, o que favorece o aquecimento do solo.
Com pouca nebulosidade e tempo estável, esse aquecimento torna-se ainda mais eficiente, aumentando a temperatura do ar junto à superfície.
Anticiclone reduz nuvens e aquece a atmosfera
A presença prolongada de altas pressões a oeste-noroeste da Península Ibérica deverá reforçar a estabilidade atmosférica.
Este padrão favorece a subsidência, ou seja, o movimento descendente do ar no interior do anticiclone.
Ao descer, o ar comprime-se e aquece, reduzindo também a formação de nuvens e aumentando a exposição à radiação solar.
Ar quente vindo do Norte de África
Além do aquecimento local, Portugal deverá receber uma massa de ar muito quente e seco com origem no Norte de África.
Este ar tropical continental será transportado por ventos predominantes de leste.
Mesmo que o vento seja fraco na maior parte das regiões, poderão ocorrer rajadas localmente fortes em algumas zonas, aumentando o risco de incêndio.
O efeito de “forno ibérico”
Um dos aspetos mais relevantes deste episódio será a capacidade da própria Península Ibérica para intensificar o calor.
Por ter uma vasta extensão continental, Portugal e Espanha conseguem acumular calor de forma muito eficiente durante vários dias consecutivos.
Durante a noite, esse calor é libertado lentamente, impedindo um arrefecimento significativo da atmosfera.
Noites tropicais ou tórridas em várias zonas
O impacto da cúpula de calor não se fará sentir apenas durante o dia.
Como o calor acumulado à superfície será libertado lentamente durante a noite, muitas regiões poderão registar noites tropicais ou mesmo tórridas.
Isto significa que as temperaturas mínimas poderão manter-se elevadas, dificultando o descanso e aumentando o risco para pessoas mais vulneráveis.
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